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esse jovial em cor de rosa




Em frente ao Chafariz da Esperança mora o meu prédio favorito desta avenida. Ali, (sobre)vive uma loja de malhas encantadora, fundada em 1967, que teima em "voltar já" sempre que passo. Como temo que não voltem há já algum tempo, terei de visitar a loja Juvenil num outro horário.


a arquitectura no cinema





Reflexões sobre a arquitectura e o urbanismo surgem diversas vezes nas obras de Jacques Tati, particularmente a modernidade na arquitectura e a sua rigorosa organização dos espaços e das funções. O confronto entre a cidade tradicional e a cidade moderna é visível neste excerto de "O Meu Tio" através do contraste do típico bairro parisiense onde vive Monsieur Hulot, os seus sons, a espontaneidade das apropriações do espaço e as suas vivências, e o bairro de classe média/alta onde, numa casa ostensivamente moderna, funcional, imperturbável, vive a sua irmã.

"Está a ver como a arquitectura não tem que ser chata?"


'Vitruvius Mozambicanus' é a exposição que estará no Museu Berardo até meados de Agosto e que faz uma retrospectiva da obra de Amâncio Guedes, Pancho Guedes . O homem que reclama para os arquitectos os direitos e liberdades que os poetas e pintores conquistaram há já muito tempo, é homenageado através de uma extensa exposição onde podemos encontrar grande parte da sua vida contada em inúmeros desenhos, pinturas e peças de escultura. Obras que vieram a influenciar fortemente a sua arquitectura.
Hoje com 82 anos, apesar de ser o arquitecto mais publicado internacional e de ter desenvolvido uma riquíssima obra em Moçambique, é praticamente desconhecido em Portugal. Por isso vale a pena dar um saltinho à exposição para prestar homenagem e conhecer a sua obra.
Mulheres-casas com muitas maminhas ao vento, aviões, crocodilos em cima de edifícios, leões que riem e estruturas complicadas cheias de formas africanas que parecem garras e dentes. O imaginário de Pancho Guedes é transposto para os seus edifícios. Ele desenha arquitectura em telas, pinta arquitectura. Para Pancho a cidade deve surpreender e deixar de ser chata, previsível. Lembra-se de ser criança em Lisboa e de ser surpreendido pelos desenhos das calçadas portuguesas e pelos pombos no Rossio. Procura assim "a qualidade há muito perdida entre arquitectos, que resulta numa arquitectura espontânea de intensidade mágica".
Gostei muito das suas pinturas, dos murais e da sua forma de representação que lembram as formas tribais africanas.




(Imagens do site guedes.info)

Acerca desta exposição e das obras que nos apresenta afirmou:" Está a ver como a arquitectura não tem que ser chata?"

Humanidade de pedra


Fui "dispensada". Como uma peça de uma máquina mal oleada, fui posta de lado. "Despedimentos" como estes, sem aviso prévio, de um dia para o outro, sem nos olharem directamente nos olhos, estão na ordem do dia. Preparemo-nos.
Em Portugal um em cada cinco trabalhadores estão nestas condições precárias, falsos recibos verdes. Pessoas que, respondendo a horários de trabalho, hierarquias, desenvolvendo trabalho nas instalações da empresa e possuindo rendimento fixo, constituem tudo excepto simples prestação de serviços, como as entidades patronais preferem chamar. Milhares de jovens licenciados, entre muitos outros, encontram-se sujeitos a inesperadamente ficarem sem trabalho no dia seguinte, um despedimento simplex. Ferramentas descartáveis.
Não creio que este problema surja apenas por más decisões políticas. Decorre de um modo de vida generalizado, de uma falta de espírito gritante. Este tipo de relações entre as pessoas surge de uma crescente disfunção social, uma caprichosa patologia humana que só estima a ambição, a vontade de poder, e que desenvolve uma fria incapacidade de sentir os outros. George Orwell previu uma sociedade assim, uma geração de autómatos a quem é incutida uma forma de agir, de pensar, de viver uma vida predefinida com a qual não conseguirão contra-argumentar pois perderam entretanto todo o sentido crítico. Saramago no "Ensaio Sobre a Cegueira" conta-nos como uma estranha epidemia atinge a humanidade, causando a súbita perda de visão. É sob esta doença que se revelam as mais obscuras características humanas, testemunhas da degradação da sociedade, a falta de moralidade nas relações, uma cegueira de valores.
Pondero agora seriamente outras alternativas de trabalho, pois não são estas as regras e as peças com que quero jogar este jogo. Tentarei agora afastar-me deste ritmo, destes valores, destas desconsiderações, deixando lugar para aqueles que não exigem ser olhados de frente, olhos nos olhos. Junto-me a um vasto conjunto de arquitectos-desiludidos que procuram nas áreas próximas desenvolver um trabalho mais humano, mais criativo e compensador. Serviram-me os últimos anos, a passagem por dois ateliers e muitos testemunhos de amigos e colegas, para perceber que este não será o meu caminho. Não digo a arquitectura em si, mas a forma mais clássica que encaramos a sua prática.
Confronto-me agora com este desencanto, na verdade, com desilusões que não tardavam em manifestar-se, fosse qual fosse o episódio que as acordasse. E tive aqui oportunidade de estabelecer breves encontros e desencontros com aqueles que, sem saberem, foram dando mais sentido ao rumo que escolho agora caminhar.
É mais do que um momento de reflexão e expansão.

arquitectura social II


Devido às grandes catástrofes naturais, que criam em poucos minutos centenas de desalojados, e ao vertiginoso aumento do número de sem-abrigo nas nossas cidades, têm surgido, ultimamente, várias propostas de abrigos temporários. O seu uso e aplicação requerem assim um conjunto de requisitos fundamentais, tais como baixo custo de produção, rapidez e facilidade de montagem e transporte e um bom desempenho face às intempéries.
O WheeLY, desenhado pelo atelier italiano Zo-loft, constitui uma forma bastante criativa de assegurar, nestes cenários, o acesso a um abrigo. Por ser extremamente leve, quando fechado, o WheeLY poderá ser utilizado para o transporte de comida e roupa. Pode ainda ser utilizado como banco, expandindo apenas um dos tubos laterais, ou para dormir, quando aberto na sua totalidade. Ambas as capas da roda poderão servir de suporte a campanhas publicitárias de organizações ou empresa que garantirão os custos de produção e distribuição destes elementos.


Apesar de acreditar mais na sua aplicabilidade em cenários de realojamentos temporários, tendo algumas dúvidas acerca da sua implementação junto dos sem-abrigo, com o WheeLY, os Zo-loft conseguiram pôr o design do lado daqueles que raramente tiram partido dele.

arquitectura social


Porque a arquitectura encerra sem dúvida uma enome função social, fica aqui uma breve apresentação do trabalho notável que um corajoso grupo de jovens arquitectos desenvolve na cidade de Bombaim, entre os quais se encontra o meu amigo Guilherme.

Eles estão a desenvolver um conjunto de estratégias activas de intervenção na sociedade tendo como ferramentas a arquitectura e o planeamento urbano, reinventando soluções para a melhoria das condições habitacionais e do espaço público.

Siza Vieira afirma no documentário de João Dias (As Operações SAAL) que “ os arquitectos são as mãos do povo”. De igual modo creio convictamente que cabe à arquitectura cuidar do Direito à Habitação e, através da sua técnica, desenvolver novas abordagens que permitam aos grupos que vivem em condições precárias o acesso a uma habitação condigna.

Para conhecerem melhor as suas propostas fica aqui o link do projecto: Incremental Housing Strategy .

Parabéns novamente Gui!!!! :)