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faianças e porcelanas Sado - Internacional


Não resisto a bons padrões. 
Não resisto a objectos-memória. 

Não resisti a estes pratos!

Hoje passei por uma loja vizinha e à porta reencontrei os dias da minha infância na casa da minha avó de Lisboa. Estes pratos, da extinta (há quase vinte anos) Sado Internacional, lembram-me o seu arroz-doce, sempre tão seco...

á, bê, cê ..

Objectos adaptados a brincadeiras de felinos, desde as mais surpreendente às mais comuns, são já convidados íntimos da casa.
Presenciamos serenamente os assaltos diários à despensa; expedições com mais olhos que barriga cujo objectivo se centra, particularmente, na exploração do canto das farinhas, farelos e sementes; a zona dos ingredientes para a produção caseira de pão. Sem o nosso espanto, todos os dias rodopiam pela casa gatos de cores diversas com embalagens de plástico e cartão pela boca.
Desta vez, enquanto assistíamos a um filme enrolados num molengão cobertor, um ataque fulminante às prateleiras causou inúmeras baixas no pacote que aguardava por uma sopa de Miso. O ralhete ficou suspenso pelo entusiasmo causado pelo inaudito efeito letrado no chão que puxou antes pela criatividade de todos.

um lugar ao sol

Há demasiadas coisas que me fazem estar plenamente grata por tudo o que tenho vindo a conquistar nos últimos dois anos. O meu fabuloso horário de trabalho faz, inevitavelmente, parte dessa lista. Posso dormir até horas decentes, demorar-me no pequeno-almoço, evitar as multidões no metro e no supermercado e ... posso contemplar, todas as manhãs, o deleite dela ao sol.

Ana Ventura

Em casa, tenho quatro serigrafias da série Jardins na Cabeça da Ana Ventura.
Na Cavalo de Pau temos, neste momento, vários exemplares da sua série in(visíveis).

cá de casa


Aqui está a paleta de cores que criei, já mais decidida, para as paredes cá de casa. Cores serenas para bons sonhos, atenção e concentração. Cores vigorosas para a energia, segurança e expansão.

cá em casa

Quando iniciei as obras tive que tomar um conjunto de decisões difíceis. Para quem não é sensível à variação de um tom numa cor, e para quem apenas distingue o azul escuro do azul claro e do assim-assim, não poderá compreender o tempo e a energia que despendi com a escolha da cor para cada quarto e para o padrão da parede da cozinha (esta, por exaustão, acabou por ser a decisão mais instintiva).
Adoro o resultado, mas sinto que as escolhas foram demasiado prudentes. Receei determinadas cores que agora fazem cá falta.
Entretanto, depois de tantas dúvidas, desistências, tirinhas de cores e resultados, sinto que só agora estaria em perfeitas condições para escolher as cores cá de casa.

psicose em wc (para arquitectos: I.S.)


Confesso, possivelmente atravesso dias sadicamente violentos que tento esconder atrás da porta da casa-de-banho...
Para além da cortina que reproduz a sombra do homem da faca de Psico de Hitchcock (que vi há uns tempos na Tom Tom Shop), gostava igualmente de trespassar a porta com as facas (cabide) da TC Studio.

(Fonte: TC Studio)

Haverá certamente uma explicação para este meu propósito.

Onde o arranjo?


Adoraria ter este cartaz na minha casa nova. Seria colocado num local estratégico para que todos os dias revivesse a inspiração e a determinação que o filme me trouxe.
Casa nova, inspiração simples! Como temo acinzentar-me pelo caminho, preciso que o contributo deste filme seja recordado e constantemente celebrado. No fundo, não é somente o filme que vejo neste cartaz, vejo sobretudo ali Agnès, com quem tanto me identifiquei.
Onde o conseguirei arranjar? ... faltou-me a coragem de o pedir no cinema.

Do mundo da mobília-fantástica fugiram ontem quatro elefantes que repousavam no ecoponto junto à minha casa. Pacientemente em vigília, a minha mesa-de-cabeceira surge com quatro guardiões de sonhos que aguardam entretanto por uma pintura a branco, tal como estas peças da Oly Studio :

Arthur Bench

Ari Side

saltar a tampa



Estive duas semanas à espera. Oh sorte... Acontece-me isto em tudo, escolho sempre o caminho mais complicado, mais moroso, os produtos esgotados ou aqueles que exigem uma encomenda especial.
A história dos tampos da cozinha é intrincada (!) envolve camiões alemães, trocas de mercadoria e, por último, um grande golpe a meio da peça. Cabe dizer que o tampo já estava montado, com lava-louças e placa, quando reparei em contraluz numa grande mossa....O tampo que veio da Alemanha não sobreviveu às mãos portuguesas que o transportaram já no meu prédio.
Resta agora esperar mais três semanas, porque entretanto ...estamos em Agosto.

casa


Passo a passo a casa vai ficando pronta.

Há dias dizia a um amigo que, tendo em conta a duração dos novos mestrados, já sou mestre em preparação e mudanças de casas, pois nestes dois anos não fiz mais senão empacotar, desempacotar, arrumar e desarrumar.

Mudo de casa, desta vez só comigo. Ainda frágil, quebradiça, é fácil escaparem-me as forças quando recordo o sabor amargo, o golpe deste imprevisto.

Respiro fundo, preparo-me para abrir as caixas na certeza de descobrir uma peça que me atraiçoará a coragem. E encontro objectos, lembranças dolorosamente recentes, testemunhos da minha batalha, que perguntam, olhando em redor, por tudo aquilo que conheceram, por tudo aquilo que lhes deu existência, um sentido. Por vezes gritam tão alto, reclamam, protestam, vociferam, que sinto uma angústia de tal forma ensurdecedora que tendo a fechar as caixas.

Mas dia após dia manifesta-se um impulso ansioso que luta por tudo cessar. Um instinto impaciente que teima em espantar o que me trouxe aqui, o que mudou com a casa grande parte dos meus sonhos. Enérgico, esforça-se por arrumar cuidadosamente cada mágoa e cada tristeza numa gavetinha segura, mas sempre visível.

E assim, a seu tempo, vejo tudo serenamente a assentar, como em resposta a uma ordem superior, uma sequência, um ritmo natural (talvez biológico) que me matura, que me prepara para as etapas seguintes.

Trago para a nova casa uma esperança que tenho vindo a embalar há uns meses, tão delicada, tão suave, que seguro fortemente junto ao peito. E quando tudo estiver arrumado, e só restarem doces memórias, espero sentir-me finalmente em casa.

a vida em obras



Desde o bairro onde moro à minha casa, tudo em meu redor se encontra em obras. Eu própria tenho a vida em obras (de remodelação, espero) .
E se há dias em que todo o seu barulho e a poeira me dão forças para as terminar, para pegar nas ferramentas e avançar, há outros em que só consigo chorar todo o pó que sinto. O pó que tarda em assentar.