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samhain


Passados alguns meses longe do carvão e das aguarelas, retomo agora alguns trabalhos.
Conto às dezenas, os desenhos teimosos que se acumulam por pastas, cadernos e bloquinhos e que estão por terminar.

 

[azul.por.aí]


Há uns meses alguém que sofre bastante com umas quantas alergias levou para sua casa dois gatinhos em aguarela da minha série "Cut Out Poetry": a gata Aurora , acompanhada por um verso de Manuel António Pina e o curioso gato de Sophia.  Estes já não lhe causam olhos vermelhos, falta de ar e vermelhões na pele e assim, esquecendo as alergias, enchem esta casa, com um pouco da alegria do gatos.

Obrigada a esse casal fantástico.

As filhas de Antígona



PÚBLICO - Ípsilon | 30 de Dezembro de 2011 | pgs. 16-18

Na passada sexta-feira, dia 30 de Dezembro, no suplemento cultural Ípsilon do jornal PÚBLICO, o artigo de Raquel Ribeiro, dedicado ao livro "Antigone's Daughters?" , contou com uma ilustração da minha autoria. 

Depois de atravessar diversos períodos em que a minha cabeça teimava em impugnar as minhas escolhas profissionais, este foi o desafio que eu precisava. Chegou no momento exacto. Perfeito! Quando pairavam mil abutres sobre a minha extrema insegurança ...puf! ... Um reconhecimento!

Apesar do medo de falhar me paralisar constantemente, os escassos dias que tive para terminar a ilustração foram bastante produtivos e criativos. Dado o pouco tempo que dispunha, fui obrigada a experimentar técnicas que tinha apenas em agenda e vi-me forçada a tomar decisões rápidas e assertivas,  o que para alguém inseguro e perfeccionista constitui, por si, uma provocação não só intelectual como, sobretudo, emocional. 

Trabalho terminado e orgulhosa de jornal na mão, jurei não largar o meu projecto. Neste final de ano foi-me provado que o meu azul.porcelana veio para ficar.  



a Antígona em curso



os ciúmes do papel...


...e finalmente, na capa, pronta a entregar.

Havia um Menino





Há um meses foi-me encomendada a ilustração do poema "Havia um Menino", de Fernando Pessoa (que podem lê-lo aqui), para o quarto de um pequenote cujo apelido é Caracol.

O poema conta-nos a história de um menino que, cheio de cócegas na cabeça, julgava ter um caracol dentro do seu chapéu. Incomodado, correu para casa cheio de vontade de se livrar do bicho intrometido ..contudo o caracol era apenas caracol do seu cabelo.

"Havia um Menino" sempre a correr




A correr, escolheram-se molduras.
A correr, quatro desenhos terminados numa noite. 
A correr, emoldurados de manhã na loja. 
A correr, seguiram viagem para Estremoz!

O desafio

O projecto azul.porcelana atelier tem vindo a conquistar valentes batalhas e, há cerca de uma semana, recebeu o seu maior desafio.

Nesta próxima sexta-feira (dia 30 de Dezembro), no suplemento cultural Ípsilon do jornal PÚBLICO, aparecerá um artigo dedicado ao livro "Antigone's Daughters? Gender, genealogy and the politics of authorship in 20th century portuguese women's writing" que contará com uma ilustração da minha autoria. Adoraria que a vissem e revissem, e que me enviassem as vossas reacções. 
Mais tarde, partilharei o processo de produção e o resultado final.

Então, não esquecer: PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, COMPRAR O PÚBLICO!! 



"Havia um Menino" por fazer


Bem-vindas encomendas! Este ano o azul.porcelana recebeu as suas primeiras encomendas de Natal. Ainda tenho todas em esquisso e acabei de receber outra...receio pela minha sobrevivência, este fim de semana.
Esta é bem especial! Vai direitinha para o quarto de um pequenino Afonso de apelido Caracol. Foi-me pedido para ilustrar o poema "Havia um Menino", de Fernando Pessoa, que nos conta a história de um menino e de um caracol... 



Havia um menino

Havia um menino,

que tinha um chapéu

para pôr na cabeça

por causa do sol.



Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha o caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.

Por isso ele andava
depressa, depressa
p’ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.

Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.

Botany is the girl´s best friend

‎"Artichoke Pregnancy"
- série "Botany is the girl´s best friend"
Novembro 2011

Ando a explorar tintas caseiras recorrendo a legumes, café, chá, frutos secos, etc. Em "Artichoke Pregnancy" utilizei tinta de beterraba e uma aguada com tintura de iodo.

"Botany is the girl´s best friend" é uma série que celebra as nossas raízes mais profundas: a mulher e a terra. 

aquele céu mesclado de nódoas



Aquele Céu Mesclado de Nódoas 
Setembro de 2011 | Aguarela e colagem



Numa tarde de nuvens altas e bem definidas, eu e o Bruno olhávamos o céu. Num comentário, trocou a palavra "nuvens" por "nódoas". Achei curioso e tive que registar.

aquilo que é cor de rosa ligeiramente purpúreo



Com a folha sobrecarregada de riscos, senti necessidade de sintetizar as cores. Sob uma paleta muito suave, a cor dominante teria de ser um magenta especialmente bem timbrado, aquele que recebe o nome das flores do quintal da minha avó. Os brincos de princesa são o "cabeça de cartaz" de um de três desenhos que já deveriam estar nas mãos dos três pirilampos que adoro como se fossem sobrinhos. A culpa foi do siso!


fotografia de Rodrigo Wesz , aqui

O headphónico é um novo espaço dedicado à divulgação e crítica musical. O header é da minha autoria (o Bruno foi um do clientes mais chatinhos com quem já trabalhei! uf ... ).

Vamos ficar atentos!
"Headrush
segundo os últimos estudos científicos, a par do sexo e da cocaína, o acto de escutar música é o que envia mais dopamina ao cérebro; a hormona da boa disposição. O headphónico nasce então com essa vontade de gratificar com intenso prazer quem o acompanha. Ao contrário do que o Adolfo dos Mão Morta, berrava desesperadamente, um dealer sónico não nos rouba nem leva a alma: leva-nos a ela.
Sejam então bem-vindos a esta esquina de dopamina para o menino e para a menina- onde nunca há rusgas policiais nem nenhum consumidor morreu alguma vez de overdose."

Sol, sal, sopas e descanso

De férias da Cavalo de Pau e a bagagem do azul.porcelana atelier já pesa com tantos projectos. Em Setembro começará uma nova fase, até lá, vou molhando os pézinhos!

need you






Owl I need is you
Julho de 2011 | Desenho digital


Ele adora mochos.

Cada pequena coisa





Cada pequena coisa | "Coral" de Sophia de Mello Breyner Andresen
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm

Maio 2011

Coral era o gato de Sophia.

aurora




Aurora | "À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto" de Manuel António Pina
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm
Maio 2011

Aquela pequena gata pardacenta que se assemelha a um grande rato conseguiu esconder-nos a sua gravidez por algum tempo. A veterinária olhou incrédula para a ecografia: "Ela é tão pequena! Parecem-me três crias, mas estas manchas poderão ser outras mais.". Faltavam já poucas semanas para o parto.
Foi no primeiro dia de Abril de 2010 que ela esperou por mim toda a tarde. Encontrei-a inquieta, soltando suaves gemidos. Preparei-lhe o ninho, telefonei ao Bruno e à Catarina e, ainda de gabardina vestida, assisti ao nascimento dos seus cinco filhotes.


*

Tinha este desenho por terminar há algum tempo lá por casa quando encontrei este poema de Manuel António Pina (outro apaixonado por gatos!), no Público de 13 de Maio. A Tica vive connosco há um ano e meio e, apesar da sua (aparente) estrutura frágil, a sua força surpreende-me, vezes sem conta.


"Alguma vez deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar?”. Não me admiraria.


À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto

Como um Deus incompreensível
confundido pela própria
argumentação
perguntando: “Onde é que eu ia?”

Como uma pergunta
a que só é possível responder
com novas perguntas.

Como vozes ao longe discutindo:
“Alguma vez deste ordens à manhã,
ou indicaste à aurora o seu lugar?”

Como um filme
em que tudo acontecesse
na escuridão do espectador.

Como o clarão da noite última
e vazia que abraça pela cintura
a jovem luz do dia.

espanto

curiosidade,
encanto, surpresa, deslumbre,
descoberta!


Em EspantoAbril de 2011 | 
pintura a aguarela | 10x15cm