[azul.por.aí]


Há uns meses alguém que sofre bastante com umas quantas alergias levou para sua casa dois gatinhos em aguarela da minha série "Cut Out Poetry": a gata Aurora , acompanhada por um verso de Manuel António Pina e o curioso gato de Sophia.  Estes já não lhe causam olhos vermelhos, falta de ar e vermelhões na pele e assim, esquecendo as alergias, enchem esta casa, com um pouco da alegria do gatos.

Obrigada a esse casal fantástico.

dias serenos


Finalmente oiço o som das gotas no telhado do logradouro. Tal como a minha respiração no silêncio, este gotear acalma-me.

novas paixões na Cavalo de Pau

Oito horas na loja fazem deste sítio uma outra minha casa. Tenho por aqui muitos objectos de paixão. Muitas paixões já tive e que me custaram vê-las partir dentro de um embrulho ou na camioneta da transportadora.  O pior desgosto de amor que passei foi na tarde em que uma escultura em terracota do Quénia (na verdade um brinquedo feito por uma criança) me deixou. Nunca a levei para casa, era demasiado frágil e temia que umas patinhas felinas a partissem. Arrependi-me, mas guardei uma fotografia sua aqui - é a peça lá de trás com duas cabeças: mãe e filho, para mim.

Umas das minhas novas paixões aqui desta casa é uma máquina de escrever Underwood N.º5, fabricada entre 1900-1931/2, e um conjunto de quatro cadeiras industriais inglesas.


"The No. 5 was the quintessential Underwood. Millions of these machines were used by secretaries, journalists, government officials, and writers throughout the first half of the twentieth century. Later Underwoods were superficially modernized, but retained the same basic mechanism. The name "No. 5" was even given to some of these later typewriters, in honor of the model that made the company's fortune "

[a colourful day keeps the doctor away]



1. via Snake Eaters   2. via Sunday in Bed

Subiram as escadas apalaçadas em corrida, ao som de uma música que ela cantarolava. As mãos tocavam-se revelando o crescente desejo.  
Laranja, a tentação.  
Encontraram na sala da varanda corpos que dançavam e balões, muitos balões. Era dia de festa.
- “Está-te mesmo a apetecer beijar-me, não está?". Beijaram-se longamente até ao amanhecer.  


Encontraram-se na tranquilidade azul daquele amanhecer.

{Crazy Cat&Dog People} na Casa Ruim - Parte II - as compras

Da venda promovida pela Crazy Cat&Dog People na Casa Ruim trouxe algumas obras.

Joana Rosa Bragança 
Este print maravilhoso teve um pequeno acidente no transporte e estão já a ser tomadas mediadas e feito um tratamento vip para se voltar a pôr direitinho!

 Lara Luís


Catarina Quintal

Rafaela Rodrigues

Beatriz

Todas as crianças que sabem que faço desenhos fazem questão em oferecem-me um delas. E como fiz anos, a minha priminha acrescentou um à minha doce colecção! 

ilustrarte 2012

Serviu a irritação de ter que percorrer, em zigue-zagues, entre encontrões e pisadelas, o matagal de cinquenta mesinhas de cabeceira gigantes com gavetas em vidros repletos de reflexos, para conhecer e reconhecer o trabalho de alguns ilustradores. Entre os reflexos - existem vidros anti-reflexo, mais caros, certamente, mas que concederiam maior dignidade aos trabalhos expostos -, os livros que desaparecem das mesas e as pessoas que espreitam por cima do nosso ombro a gaveta que abrimos, sinto que a exposição precisa de uma segunda visita bem mais calma. Na verdade, já há dois anos tive esta mesma péssima experiência, que depois vim a constatar ter irritado muito gente também: vidros espelhados em mil reflexos que empobrecem as obras e os pormenores que queremos desvendar.  

A exposição inicia-se com a mostra do trabalho de Martin Jarrie, pintor e ilustrador infantil.


Seguem-se os artistas em competição, entre os quais tenho que destacar alguns.

O doce mundo de Simone Rea, que ganhou uma menção especial pelo seu fabuloso "Esopo Favole":





As curiosas técnicas de Annalisa Bollini :


A encantadora edição de autor de Lili Gartner "Night of the bear"

A doçura de Kaatje Vermeire, uma das autoras presentes na exposição que mais gostei de conhecer:

E os extraordinários desenhos de Michael Roher no livro  "6,7,8 Gute naicht" :

{Crazy Cat&Dog People} na Casa Ruim

A colectiva de ilustradores Crazy Cat&Dog People, liderada por Lara Luís, inaugurou, no passado dia 11, na Casa Ruim, uma venda de obras que  reverterá a favor da minha estimadíssima APA - Associação para a protecção aos animais de Torres Vedras, da qual sou sócia há uns meses.




Ilustração, gatos e APA: embora conhecer finalmente a Casa Ruim!
A exposição decorrerá até dia 3 de Março. Não percam a oportunidade de conhecer esta fantástica loja, ver excelentes desenhos (trouxemos alguns) e de ajudar uns patudos.
 

Adorámos  ♥ 

"I´m a short-tempered son of a bitch!"

... disse Michael (John C. Reilly).

Eu também sou.
E tu, não o serás!? Escondes, ou desconheces sê-lo pois nunca alcançaste o teu limite?
  

Baseada na peça de "Le Dieu du carnage" de Yasmina Reza , "O Deus da Carnificina" de Polanski recorre à sala de estar da família Longstreet e a uma pretensa conversa civilizada acerca de um conflito entre o seu filho e o dos Cowan, para cada personagem cuspir, a nu, as suas verdadeiras fragilidades,  sofrimento e raiva.
O conflito entre os jovens, delicadamente abordado no início, faz resvalar as secretas dinâmicas em ebulição de cada personagem, e, consequentemente, de cada casal. A sala, bem decorada, meticulosamente arrumada e adornada com tulipas e livros de arte, torna-se um espelho da tensão existente em cada relação interpessoal.


Não existem indivíduos genuinamente ponderados, serenos e cordiais. Nunca houve. Existem sempre fantasmas, inseguranças, medos e vaidades que latejam nos seus comportamentos mudos e socialmente espartilhados.


Esqueçamos as doces princesas e os bravos cavaleiros. Já os viram? 
Não há amores de finais facilmente felizes. Há apenas amores. O tempo arrasta as promessas e as gargalhadas ingénuas para um redemoinho de tensões. Nada é perfeito, nem no amor: fraterno, familiar ou erótico. É conflituoso. Se nos alimenta, também nos magoa e destrói, ao contrário do que se cobre em largos sorrisos e projectos ídilicos. Aquilo por que mais ansiamos é também a faca que mais nos fere. Creio ser humilde olhar os dois gumes.

Se a falar a gente se entende, por vezes, há sentimentos engasgados que só são capazes de serem expressos através de um grito ou de um choro violento. Na sala nova-iorquina despem-se todas as dinâmicas que fingimos não ver pairar sobre nós. Gosto desse cair das aparências que tanto estimamos. Estimamos todos, sem excepção.

 


"Cá vamos andado!"

A vida faz-se de pequenos e grandes passos. Pé ante pé. De passos. Cautelosos, para contornar a imprevisibilidade do solo e os perigos que este esconde, bem como para fazer frente às intempéries, escolhemos, dia após dia, calçarmo-nos. E com o passar dos anos, devido à excessiva protecção, vamos perdendo a sensibilidade e motricidade natural dos nossos pés. Muitos não conseguem sequer mexer os dedos dos pés individualmente com a habilidade com que mexem os das mãos.

As mãos, sempre desprotegidas.

Todavia, calçados, as feridas causadas por um pontapé numa pedra são substituídas por lesões igualmente dolorosas. Bolhas, calos, joanetes, infecções dermatológicas e, por vezes, sérios problemas na coluna.

São os passos da nossa vida, cheios de contradições.