Havia um Menino





Há um meses foi-me encomendada a ilustração do poema "Havia um Menino", de Fernando Pessoa (que podem lê-lo aqui), para o quarto de um pequenote cujo apelido é Caracol.

O poema conta-nos a história de um menino que, cheio de cócegas na cabeça, julgava ter um caracol dentro do seu chapéu. Incomodado, correu para casa cheio de vontade de se livrar do bicho intrometido ..contudo o caracol era apenas caracol do seu cabelo.

"Havia um Menino" sempre a correr




A correr, escolheram-se molduras.
A correr, quatro desenhos terminados numa noite. 
A correr, emoldurados de manhã na loja. 
A correr, seguiram viagem para Estremoz!

O desafio

O projecto azul.porcelana atelier tem vindo a conquistar valentes batalhas e, há cerca de uma semana, recebeu o seu maior desafio.

Nesta próxima sexta-feira (dia 30 de Dezembro), no suplemento cultural Ípsilon do jornal PÚBLICO, aparecerá um artigo dedicado ao livro "Antigone's Daughters? Gender, genealogy and the politics of authorship in 20th century portuguese women's writing" que contará com uma ilustração da minha autoria. Adoraria que a vissem e revissem, e que me enviassem as vossas reacções. 
Mais tarde, partilharei o processo de produção e o resultado final.

Então, não esquecer: PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, COMPRAR O PÚBLICO!! 



"Havia um Menino" por fazer


Bem-vindas encomendas! Este ano o azul.porcelana recebeu as suas primeiras encomendas de Natal. Ainda tenho todas em esquisso e acabei de receber outra...receio pela minha sobrevivência, este fim de semana.
Esta é bem especial! Vai direitinha para o quarto de um pequenino Afonso de apelido Caracol. Foi-me pedido para ilustrar o poema "Havia um Menino", de Fernando Pessoa, que nos conta a história de um menino e de um caracol... 



Havia um menino

Havia um menino,

que tinha um chapéu

para pôr na cabeça

por causa do sol.



Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha o caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.

Por isso ele andava
depressa, depressa
p’ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.

Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.

a colourful day keeps the doctor away



1. beija-flor via we heart it 2Meknes, Marrocos por Mike Mellinger 


A partir de hoje farei o possível para ter a rubrica "a colourful day keeps the doctor away" em dia. A recorrente procura (e colecção) por imagens que me impressionam pela cor servirá como ponto de partida a exercícios cromáticos: rítmicos, vibrantes, calmos, harmónicos, dissonantes...

Pretendo apenas brincar com as cores, como fazía em criança com as mãos esborratadas de tinta.



"Ouro sobre magenta" por azul.porcelana 

habemus papam, por pouco



Vejo “Habemus Papam” (2011) tal como numa das cenas iniciais do conclave em que se dá um corte de energia eléctrica. Sinto que faltou a Nanni Moretti energia para mergulhar as mãos nos conflitos internos de uma pessoa em crise existencial, um papa apavorado com a sua eleição. Sinto ainda que lhe escasseou as forças quando colocou o psicanalista, retido no Vaticano por razões de protocolo, frente a frente com os restantes cardeais, exposto aos seus medos e inseguranças.

Existe um psicanalista, mas não uma terapia; apenas a fuga do papa recém-eleito que se sucumbe a um momento de introspecção vagueando, anónimo, por Roma. Cidade onde conhece uma realidade que lhe fora privada, desde que desistiu do sonho de vir a ser actor. Esta fuga porém é demasiado esquiva, insuficientemente intensa e pouco traz à luz o conflito com que a personagem se depara.
Moretti faz também o filme deambular como o incógnito fumo branco da chaminé da Capela Sistina, orquestrando cenas fabulosas que são subitamente invadidas pelo mesmo apagão energético do conclave. Esta falha energética acontece não só no final do filme como, de forma mais gritante, na cena do teatro em que se encena A Gaivota, de Tchekhov. A brilhante actuação é abruptamente interrompida pela entrada na plateia de algumas figuras do clérigo e por uma injustificada ovação ao papa, anonimamente recolhido num camarote. Talvez aqui Moretti quisesse piscar o olho à “veneração pela veneração”; à veneração alucinada à qual a grandiosa manifestação de arte que habitava o palco passa despercebida.

Procurava neste filme encontrar a “tensão psicanalista” que a personagem de Moretti, um freudianno ateu, prometia. Procurava um conflito de crenças, de valores. O Criacionismo e o Evolucionismo foram timidamente abordados.

Nestas coisas da religião, gosto de fervorosos conflitos de fé e ali houve voleibol a mais para mim.

borboleta

Que estranha ilusão supor que tudo o que é belo é bom
- Leão Tolstoi


Isto da alegria tem muito que se lhe diga: por certo houve legos, comboios
d ´corda, nêsperas, café quente, torradas de marmelada, chochos às meninas, mergulhos de mar à bruce lee, a colecção Uma Aventura em... lida inteirinha aquando de uma ferroada vespa, dias da maleabilidade colorida da plasticina, mas também a apresentação formal às pedradas, cabeças partidas, o choro fugitivo das sevícias heteroinfligidas, o desdém por um coração dos chineses, ondas de choque de quem não quer comprar, por parte das ministars da boa popularidade, os olhos hibernais em casulo de vexame, ódio racial, estrelas primeiras de misoginia e misantropia escancarando feridas de luz na abóbada celestina de um peito ainda sem porquês, a sensação de acordar todas as manhãs do mundo no corpo de Gregor Samsa, de um sono desassossegado que, por alguma sorte, poderia ter sido viagem de descoberta e de aprendizagens voo a voo em sueco ganso gigante, não fosse, em suma, o idílio violento que a infância é, alojar como co-inquilinas as mais crianças. Enfim, de facto qualquer pessoa poderia dar um serial killer qualquer. No final cair em poesia, não é, como sabido, também boa-nova sonante em brinde de família. De maneira que sou mais um sociopata com uma bic. Sirvo-me dos assaltos da criação para esfaquear de frente quem se dispõe a ler. Somos muitos . As nossas  palavras são o equivalente literário a uma pungente butterfly no adbdómen, laminando com fúria de viver, as carnes do que seria expectável encontrar em versos de anódinos bons sentimentos. Nós moldamos nossa beleza com a boca a espumar sangue e as tripas de fora. As tuas.

Botany is the girl´s best friend

‎"Artichoke Pregnancy"
- série "Botany is the girl´s best friend"
Novembro 2011

Ando a explorar tintas caseiras recorrendo a legumes, café, chá, frutos secos, etc. Em "Artichoke Pregnancy" utilizei tinta de beterraba e uma aguada com tintura de iodo.

"Botany is the girl´s best friend" é uma série que celebra as nossas raízes mais profundas: a mulher e a terra.