faianças e porcelanas Sado - Internacional


Não resisto a bons padrões. 
Não resisto a objectos-memória. 

Não resisti a estes pratos!

Hoje passei por uma loja vizinha e à porta reencontrei os dias da minha infância na casa da minha avó de Lisboa. Estes pratos, da extinta (há quase vinte anos) Sado Internacional, lembram-me o seu arroz-doce, sempre tão seco...

Exorcício

Basta uma lágrima. cheia de uma saudade de tudo.
para o mar de substantivos próprios e comuns do começo
: rua afonso lopes vieira, nº 7 ( poeta)
ignorante do que o futuro me reservava,
sem pensar em poe, transpunha, para dentro
e para fora, os umbrais da minha morada,
que hoje tento cristalizar num verso
hipstamático, fazendo uso de uma mentira
inovadora para parecer velho e venerável,
subitamente passando exclusivamente a conjugar
a vida, no passado perfeito, imperfeito, simples e condicional.
até trocar de residência, o nome do poeta
todo o santo e ímpio dia, sobranceiro à minha mochila
da primária, como um farol, um conselho, uma esperança,
uma ameaça, uma sombra, uma cruz.
Donde, para ser-se poeta, basta uma saudade.
cheia de lágrimas. os olhos radicados no vermelho escuro
da memória, como, em versos de sophia, são aqueles
de quem os abre debaixo de água,
procurando vestígios de sangue ou
substâncias da mesma família nas
profunduras mais gratas
rua afonso lopes vieira, n.º 7 ( poeta)
Sou poeta?
Que acheis? Ter-me-ei cumprido
ou fugido a sete pés da sina como se esta
personificasse um perseguidor assassino?


aquele céu mesclado de nódoas



Aquele Céu Mesclado de Nódoas 
Setembro de 2011 | Aguarela e colagem



Numa tarde de nuvens altas e bem definidas, eu e o Bruno olhávamos o céu. Num comentário, trocou a palavra "nuvens" por "nódoas". Achei curioso e tive que registar.

tick! tack!


Os dias correm desvairados, a velocidades difíceis de alcançar. Tento conciliar o "tempo obrigatório" e o "tempo necessário" com o tempo para o azul.porcelana atelier. Como este tendencialmente sai a perder, não há mãos a medir, e é ao balcão da loja que decido avançar com uma nova ideia.

o homem e a guitarra

No palco, Ben Chasny, a sua voz e uma guitarra acústica. Que privilégio! Somos lançados numa virtuosa viagem em seis cordas por entre os sons que dedilham desde a folk ao rock psicadélico, passado por lugares orientais. 

O seu regresso a Portugal foi marcado pela edição internacional de "Guitarra Portuguesa" e " Movimento Perpétuo" de Carlos Paredes, pela Drag City Records, por sua sugestão.


Deixo "Lisboa", música de "School Of The Flower" (2005), álbum dedicado ao guitarrista português. 



dance-makers

Depois de umas férias enubladas pelo mau tempo e pelas atrocidades que um dente do siso consegue realizar, rumámos ao Alentejo.
Ainda arrebatados pela singularidade da casa e da paisagem, somos conduzidos pelo anfitrião para uma noite de dança contemporânea. Conhecemos Bill T. Jones. Depois Akram Khan e Sidi Larbi na sublime "Zero degrees" (2005), peça que marca o encontro dos dois bailarinos como Nitin Sawhney e Antony Gormley. Pela noite dentro, segue-se o surrealismo do coreógrafo sueco Mats Ek - o Magritte da dança - com a divina Ana Laguna em "Carmen", de Bizet, (1992).


Para nos deixar a sonhar, a sessão terminou com Sylvie Guillem e Niklas Ek (irmão do Mats) em "Smoke" (1995). Podem ver aqui a peça completa.


>> repeat >>

Durante as férias dei por mim a cantarolar (e a gesticular) um refrão dos Amor Electro. Confesso, fui eu que procurei esta minha má sorte: vi o videoclip inteiro na tentativa de perceber o fenómeno. "A Máquina" promocional das grandes editoras é feroz e apanha-nos desprevenidos! Com tamanha vacuidade como poderá a música portuguesa não se detestar a ela própria?

Felizmente temos Tiago Pereira! Não podia gostar mais do seu projecto "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria". Esta noite ouvi em repeat várias músicas, entre tantas, a divertida paródia dos Penicos de Prata, em redor de poemas de Adília Lopes, e os poderosíssimos Atma.