o homem e a guitarra

No palco, Ben Chasny, a sua voz e uma guitarra acústica. Que privilégio! Somos lançados numa virtuosa viagem em seis cordas por entre os sons que dedilham desde a folk ao rock psicadélico, passado por lugares orientais. 

O seu regresso a Portugal foi marcado pela edição internacional de "Guitarra Portuguesa" e " Movimento Perpétuo" de Carlos Paredes, pela Drag City Records, por sua sugestão.


Deixo "Lisboa", música de "School Of The Flower" (2005), álbum dedicado ao guitarrista português. 



dance-makers

Depois de umas férias enubladas pelo mau tempo e pelas atrocidades que um dente do siso consegue realizar, rumámos ao Alentejo.
Ainda arrebatados pela singularidade da casa e da paisagem, somos conduzidos pelo anfitrião para uma noite de dança contemporânea. Conhecemos Bill T. Jones. Depois Akram Khan e Sidi Larbi na sublime "Zero degrees" (2005), peça que marca o encontro dos dois bailarinos como Nitin Sawhney e Antony Gormley. Pela noite dentro, segue-se o surrealismo do coreógrafo sueco Mats Ek - o Magritte da dança - com a divina Ana Laguna em "Carmen", de Bizet, (1992).


Para nos deixar a sonhar, a sessão terminou com Sylvie Guillem e Niklas Ek (irmão do Mats) em "Smoke" (1995). Podem ver aqui a peça completa.


>> repeat >>

Durante as férias dei por mim a cantarolar (e a gesticular) um refrão dos Amor Electro. Confesso, fui eu que procurei esta minha má sorte: vi o videoclip inteiro na tentativa de perceber o fenómeno. "A Máquina" promocional das grandes editoras é feroz e apanha-nos desprevenidos! Com tamanha vacuidade como poderá a música portuguesa não se detestar a ela própria?

Felizmente temos Tiago Pereira! Não podia gostar mais do seu projecto "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria". Esta noite ouvi em repeat várias músicas, entre tantas, a divertida paródia dos Penicos de Prata, em redor de poemas de Adília Lopes, e os poderosíssimos Atma.


firmamento



Podia ser a abóbada celeste pontilhada pelas estrelas. É uma peça de cerâmica persa, bem antiga, que chegou à Cavalo de Pau. 

o som dos antepassados

Mbira, Zimbábue, na Cavalo de Pau

O mbira, também conhecido por sansa, é um idiofone tradicional africano em particular da cultura Shona, povo que habita no Zimbábue e em Moçambique. É frequentemente utilizado em rituais religiosos, recepções reais e em várias eventos sociais.

"É feito a partir de um bloco de madeira dura (Pterocarpus angolensis) onde se fixam lamelas metálicas forjadas à mão, dispostas em três teclados distintos, abrangendo três oitavas. A afinação varia; a mais comum, chamada nyamaropa aproxima-se da escala maior diatónica. A técnica de execução envolve ambos os polegares e um dedo indicador para beliscar as lamelas de metal. Para amplificar o som, o instrumento é colocado no interior de uma cabaça de grandes dimensões, equipada com soalhas que vibram por simpatia." Nuno Cristo
Na música "Mbira do Norte" dos Gaiteiros de Lisboa, escutamos o fabuloso som deste instrumento.

nenhum poeta

nenhum poeta por mais perspícuo
conseguiu alguma vez responder
definitivamente às grandes questões do humano
basta comprová-lo pelo número de bibliotecas construídas
e livros publicados
e mesmo que cada poema seja um grito de alerta
cada vez mais alto
perde-se numa teia de ecos composta pelos gritos
que o precederam, concorrem e hão-de vir

aquilo que é cor de rosa ligeiramente purpúreo



Com a folha sobrecarregada de riscos, senti necessidade de sintetizar as cores. Sob uma paleta muito suave, a cor dominante teria de ser um magenta especialmente bem timbrado, aquele que recebe o nome das flores do quintal da minha avó. Os brincos de princesa são o "cabeça de cartaz" de um de três desenhos que já deveriam estar nas mãos dos três pirilampos que adoro como se fossem sobrinhos. A culpa foi do siso!


fotografia de Rodrigo Wesz , aqui

O headphónico é um novo espaço dedicado à divulgação e crítica musical. O header é da minha autoria (o Bruno foi um do clientes mais chatinhos com quem já trabalhei! uf ... ).

Vamos ficar atentos!
"Headrush
segundo os últimos estudos científicos, a par do sexo e da cocaína, o acto de escutar música é o que envia mais dopamina ao cérebro; a hormona da boa disposição. O headphónico nasce então com essa vontade de gratificar com intenso prazer quem o acompanha. Ao contrário do que o Adolfo dos Mão Morta, berrava desesperadamente, um dealer sónico não nos rouba nem leva a alma: leva-nos a ela.
Sejam então bem-vindos a esta esquina de dopamina para o menino e para a menina- onde nunca há rusgas policiais nem nenhum consumidor morreu alguma vez de overdose."