mid-twenties nesting tables


Em 1926, Josef Albers, então director artístico do departamento de mobiliário na Bauhaus de Weimar, é convidado para o projecto de diversas peças de mobiliário para a residência da família Moellenhof, em Berlim. Surge assim o conjunto de quatro mesas encaixáveis no qual o designer combina o desenho extremamente simples da estrutura em carvalho com uma paleta cromática característica dos seus trabalhos enquanto artista plástico.
Mais tarde, a Vitra adquiriu os direitos de autor das "Nesting Tables".



book(case) II

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ESU | Charles e Ray Eames | 1949

As estantes ESU (Eames Storage Unit), desenhadas em 1949 para a Herman Miller, surgem na sequência de estudos elaborados pelo casal Eames para uma exposição, em 1949, no Instituto de Artes de Detroit.
Movidos pela corrente funcionalista, assiste-se, pela primeira vez, à utilização de peças modelares capazes de originar diversas combinações funcionais e cromáticas. A combinação de materiais inovadores - como a fibra de vidro e o contraplacado moldado - e o recurso a uma estrutura metálica marcam igualmente a revolução funcional na concepção de mobiliário.

book(case) I

Tunisie| Jean Prouvé, Charlotte Perriand e Sonia Delaunay| 1952/1953


Méxique | Jean Prouvé, Charlotte Perriand e Sonia Delaunay| 1952/1953

Na ausência de classe média na Europa pós-guerra, a produção em série de peças de mobiliário surge frequentemente associada a encomendas públicas para o equipamento de escolas, universidades, hospitais, sanatórios, etc.

Passados vinte anos da sua participação nos desenho dos equipamentos colectivos do Pavilhão Suíço em conjunto com Corbusier, Charlotte Perriand regressa a Paris para colaborar com o atelier de Jean Prouvé. Regressa assim ao trabalho na cidade universitária, desta vez com o projecto de mobiliário e interiores para diversas residências de estudantes: a Casa do México, Turquia e Brasil.
A peça central em ambos os projectos é uma colorida estante em alumínio, aço e pinho que na Casa da Turquia é suspensa na parede, assumindo, na casa do México, a divisão dos quartos amplos em duas zonas funcionais: estudo e repouso.
O estudo cromático ficou a cargo da artista Sonia Delaunay.

la femme-objet


Em 2001, a fotógrafa iraniana Shadi Ghadirian apresentou na Saatchi Gallery a série "Like everyday". Num país onde as mulheres não podem ser fotografadas sem o véu, Ghadirian, numa provocação à identidade feminina, substitui os seus rostos por utensílios de cozinha e limpeza.

Cada pequena coisa





Cada pequena coisa | "Coral" de Sophia de Mello Breyner Andresen
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm

Maio 2011

Coral era o gato de Sophia.

aurora




Aurora | "À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto" de Manuel António Pina
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm
Maio 2011

Aquela pequena gata pardacenta que se assemelha a um grande rato conseguiu esconder-nos a sua gravidez por algum tempo. A veterinária olhou incrédula para a ecografia: "Ela é tão pequena! Parecem-me três crias, mas estas manchas poderão ser outras mais.". Faltavam já poucas semanas para o parto.
Foi no primeiro dia de Abril de 2010 que ela esperou por mim toda a tarde. Encontrei-a inquieta, soltando suaves gemidos. Preparei-lhe o ninho, telefonei ao Bruno e à Catarina e, ainda de gabardina vestida, assisti ao nascimento dos seus cinco filhotes.


*

Tinha este desenho por terminar há algum tempo lá por casa quando encontrei este poema de Manuel António Pina (outro apaixonado por gatos!), no Público de 13 de Maio. A Tica vive connosco há um ano e meio e, apesar da sua (aparente) estrutura frágil, a sua força surpreende-me, vezes sem conta.


"Alguma vez deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar?”. Não me admiraria.


À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto

Como um Deus incompreensível
confundido pela própria
argumentação
perguntando: “Onde é que eu ia?”

Como uma pergunta
a que só é possível responder
com novas perguntas.

Como vozes ao longe discutindo:
“Alguma vez deste ordens à manhã,
ou indicaste à aurora o seu lugar?”

Como um filme
em que tudo acontecesse
na escuridão do espectador.

Como o clarão da noite última
e vazia que abraça pela cintura
a jovem luz do dia.