book(case) I

Tunisie| Jean Prouvé, Charlotte Perriand e Sonia Delaunay| 1952/1953


Méxique | Jean Prouvé, Charlotte Perriand e Sonia Delaunay| 1952/1953

Na ausência de classe média na Europa pós-guerra, a produção em série de peças de mobiliário surge frequentemente associada a encomendas públicas para o equipamento de escolas, universidades, hospitais, sanatórios, etc.

Passados vinte anos da sua participação nos desenho dos equipamentos colectivos do Pavilhão Suíço em conjunto com Corbusier, Charlotte Perriand regressa a Paris para colaborar com o atelier de Jean Prouvé. Regressa assim ao trabalho na cidade universitária, desta vez com o projecto de mobiliário e interiores para diversas residências de estudantes: a Casa do México, Turquia e Brasil.
A peça central em ambos os projectos é uma colorida estante em alumínio, aço e pinho que na Casa da Turquia é suspensa na parede, assumindo, na casa do México, a divisão dos quartos amplos em duas zonas funcionais: estudo e repouso.
O estudo cromático ficou a cargo da artista Sonia Delaunay.

la femme-objet


Em 2001, a fotógrafa iraniana Shadi Ghadirian apresentou na Saatchi Gallery a série "Like everyday". Num país onde as mulheres não podem ser fotografadas sem o véu, Ghadirian, numa provocação à identidade feminina, substitui os seus rostos por utensílios de cozinha e limpeza.

Cada pequena coisa





Cada pequena coisa | "Coral" de Sophia de Mello Breyner Andresen
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm

Maio 2011

Coral era o gato de Sophia.

aurora




Aurora | "À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto" de Manuel António Pina
Aguarela e colagem | 10 x 15 cm
Maio 2011

Aquela pequena gata pardacenta que se assemelha a um grande rato conseguiu esconder-nos a sua gravidez por algum tempo. A veterinária olhou incrédula para a ecografia: "Ela é tão pequena! Parecem-me três crias, mas estas manchas poderão ser outras mais.". Faltavam já poucas semanas para o parto.
Foi no primeiro dia de Abril de 2010 que ela esperou por mim toda a tarde. Encontrei-a inquieta, soltando suaves gemidos. Preparei-lhe o ninho, telefonei ao Bruno e à Catarina e, ainda de gabardina vestida, assisti ao nascimento dos seus cinco filhotes.


*

Tinha este desenho por terminar há algum tempo lá por casa quando encontrei este poema de Manuel António Pina (outro apaixonado por gatos!), no Público de 13 de Maio. A Tica vive connosco há um ano e meio e, apesar da sua (aparente) estrutura frágil, a sua força surpreende-me, vezes sem conta.


"Alguma vez deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora o seu lugar?”. Não me admiraria.


À Noite com Job, sob o Céu de Calar Alto

Como um Deus incompreensível
confundido pela própria
argumentação
perguntando: “Onde é que eu ia?”

Como uma pergunta
a que só é possível responder
com novas perguntas.

Como vozes ao longe discutindo:
“Alguma vez deste ordens à manhã,
ou indicaste à aurora o seu lugar?”

Como um filme
em que tudo acontecesse
na escuridão do espectador.

Como o clarão da noite última
e vazia que abraça pela cintura
a jovem luz do dia.

dois murros no estômago em português

Na passada semana assisti a dois documentários nacionais aterradoramente sensíveis e que merecem toda a distinção. “Quem Vai à Guerra”, o novo documentário de Marta Pessoa - que se estreia em 2009 com o brilhante "Lisboa Domiciliária" - e “48” de Susana de Sousa Dias.

Numa sessão especial do Indie Lisboa deu-se a antestreia de “Quem Vai à Guerra”. Antes do início da sessão, num momento de emoções à flor da pele, sobe ao palco Marta Pessoa a quem se juntaram as mulheres que fizeram o filme. Passados minutos, apagam-se as luzes e num extraordinário teatro de guerra trabalhado pelo cenógrafo Rui Francisco, ouvimos os testemunhos das duras batalhas que a guerra raramente mostra.

Passado meio século, a realizadora leva-nos aos treze anos em que milhares de homens foram mobilizados para as ex-colónias a fim de travar uma guerra “mal-explicada”. Este capítulo da história nacional, que teima em se fazer esquecer sendo continuamente falado em surdina, pedia, há muito, este olhar destemido.

Apesar de a guerra ser tradicionalmente um tema masculino (sobretudo quando vivida no Estado Novo onde as mulheres menor espaço para expressão detinham), da tela apenas figuras femininas testemunham esses tempos: o medo, a violência, a saudade, a inconsciência e as sequelas. Vozes de uma guerra que não molestou apenas os combatentes.

O documentário terá estreia comercial a 16 de Junho no Cinema Classic City Alvalade.

Desejo-lhe o sucesso merecido!

*



Em criança, por várias vezes os meus pais descreveram-me o ambiente social e político que se vivia no Estado Novo. Falavam-me não só da PIDE, da Guerra do Ultramar, da censura na imprensa e em todas manifestações culturais, mas também das rígidas restrições e opressões sociais que colocaram a população a viver cenários regidos pelo medo. Faltavam-me as vozes, os rostos e os suspiros daqueles que estiveram na linha da frente, batalhando pela mudança.

Susana de Sousa Dias entrou há uns anos nos arquivos do Estado Novo e desde então que se dedica a trabalhar sobre esta documentação em busca da verdade escondida. Em "48", a realizadora desenvolve a narrativa a partir de um conjunto de fotografias de cadastro tiradas a dezasseis prisioneiros políticos, muitas vezes após sessões de tortura. Sobre estes retratos, que se movem hipnoticamente, surgem as vozes, os lamentos e os silêncios daqueles que sobreviveram, às mãos da PIDE, a episódios de extremo sadismo, humilhação e terror.

*

Em ambos os casos, não conseguimos sair do cinema não só atormentados, como bem mais conscientes dos abusos avassaladores daquele regime. Acima de tudo, pelo seu conteúdo histórico, “Quem Vai à Guerra” e “48” constituem documentos preciosíssimos, obrigatórios!!


Ao cinema documental português um sincero: Bravo!

a cada instante um ribombar de um trovão


A repentina chuvada desanuviou o ar e todos os ruídos da cidade. Naquele percurso, todos os dias barulhento, todos os dias acidentado, encontrei-me só. Não vi ninguém, não ouvi nada, apenas os meus pés, enregelados, que se esgueiravam apressadamente para casa. A instabilidade do céu e as massas abafadas de ar anunciavam o fim daquele dia. A minha tia morreu, não me viu casar.
Sinto as gotas pesadas assentarem, desconfortáveis, sobre vestido, a aguilhoarem-me a pele nua das pernas. Não corro, não me protejo, entrego-me à excelência ambiente; um cenário meticulosamente montado em contornos nítidos e de fina luz, filtrada em tons de lilás.
Este é o instante: eu e a trovoada. Nada mais.
A morte é isto, um instante inocente como um grito de um trovão.


essencialmente, a sobrevivência


Perdidos na imensidão extrema de uma floresta, expostos a condições climatéricas demasiado hostis, perseguidos e famintos, o que seríamos capazes de fazer pela nossa sobrevivência?

Em Essencial Killing (2010) assistimos à difícil luta de um talibã fugitivo pela vida. Da personagem, brilhantemente interpretada por Vincent Gallo, só conseguimos ouvir a voz, como num animal, nas torturas levadas a cabo pelo exército dos EUA e em dolorosos gritos e choros no silêncio da floesta . A batalha de Mohammed e o apego à sua sobrevivência leva-nos a reflectir não sobre o fanatismo à causa islâmica, mas acerca do instinto humano e dos seus actos mais primitivos.

mais Wanda..


Imagens de Wanda Kujackz para a Vogue japonesa de Setembro de 2010.

ufa! ainda existe o surrealismo


Adoro o trabalho da artista francesa Wanda Kujacz.

"I play with pencils, fabrics, papers, paintings, all sort of cameras and materials, I play with my dreams and nightmares too, with fairytales and all kind of children stories and myths to create images of new stories, new worlds."