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carimbos em madeira para tecidos, Índia, na Cavalo de Pau

em tom ofegante

Se tal me fosse permitido, se a minha vida não corresse perigo, eu susteria a respiração para te dizer, ininterruptamente, "amo-te", "amo-te", "amo-te"...

festividade

Colares da Papua-Nova Guiné, na Cavalo de Pau
Guerreiros, Papua-Nova Guiné

"Ver, ouvir e não calar"

Apesar da sua visão de humanidade, não tão pessimista como verdadeira no pior dos nossos defeitos, Saramago afirma que se todos os amantes da beleza pudessem juntar esforços para combater as barbaridades do ser humano talvez se conseguisse dignificar o Homem. “Espero morrer lúcido e de olhos abertos”. Saramago fala-nos, sempre nos falou, sobre a Lucidez.

No fabuloso documentário de Miguel Gonçalves Mendes o casal Saramago e Pilar abre-nos a porta de sua casa.

"A vida de cada um de nós vai sendo contada em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como andamos e olhamos, na maneira como viramos a cabeça ou apanhamos um objecto do chão". É assim que, com o decorrer do documentário, Saramago e Pilar se dão a conhecer.

Saramago é, mais do que um homem humilde, mais do que o brilhante escritor, um sábio a quem apetece não parar de ouvir. A sua clareza e consciência fazem-me acreditar que a sua missão foi, mais do que literária, a intervenção na sociedade.

Em "José e Pilar" fala-se da morte, de deus, do sentido da vida e do Homem. Assistimos às viagens, às cansativas conferências de impressa, às infindáveis sessões de autógrafo, às refeições, aos serões, à doença e à recuperação do escritor; a vida de um casal, o sereno, tímido e provocador José Saramago e a enérgica e poderosa Pilar del Río. “Se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de conhecer Pilar, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”.

Em "José e Pilar" fala-se sobretudo de amor, através do inseparável percurso do casal, através das duas mãos que se procuram e se entrelaçam constantemente. Segundo o realizador, os dois completavam-se. “Ela lhe deu uma segunda vida”.


Cerâmica de Samburu


Brinquedos Samburu em terracota, na Cavalo de Pau

A tribo Samburu habita uma pequena área natural protegia com cerca de 165 km2 na zona central do Quénia.

Samburu warriors, Samburu, Kenya
Samburu women, Samburu, Kenya.

em laboratório

Porta tubos de ensaio, na Cavalo de Pau

Elisabete Pimentel

Desenho e cerâmica de Elisabete Pimentel, na Cavalo de Pau

território e carcaças

Seca, pancada viril.

Não tarda a inflamação; os vasos sanguíneos, agora mais permeáveis, facilitam a chegada das células de defesa ao local golpeado.

Lateja, febril, o agudo edema daquele que foi capturado.

Como na maré baixa, ou numa grande vaga, o sangue recua do coração alterando, impetuosamente, o nível do sangue nas veias devido ao aumento da pressão na zona golpeada. Desengano, inquietação causada por um corpo sobre o nosso centro gravítico.

Os felinos atacam as presas rasgando instintivamente o seu abdómen. Intestinos, estômago, pâncreas; o centro proteico da presa. Um ataque directo, instintivo, ao nosso centro vital.

Assim quedamos esventrados, surpresos, perpetuando, olhos nos olhos, a flagrante imagem da nossa própria existência.

este meu azul porcelana





Como as veias que percorrem a minha pele também eu serpenteio em várias direcções, sem mapa, sem rota, expandindo-me apenas para deixar fluir o sangue.
Como o sangue que percorre as veias da minha pele também eu procuro encontrar um percurso, um trajecto sólido, firme e profundamente vincado. Mas esse percurso teima em cortar a pele, e as cicatrizes dessa caminhada são agora de uma seda fina e quebradiça, sinais anémicos que ameaçam por vezes não conseguir estancar o sangue.
São testemunhos da minha matéria, o meu azul porcelana, ténue, frágil e hesitante.