vidas firmadas no ódio



Heydrich: Yes, he told me a story about a man he had known all his life, a boyhood friend. This man hated his father. Loved his mother fiercely. His mother was devoted to him, but his father used to beat him, demeaned him, disenherited him. Anyway, this friend grew to manhood and was still in his thirties when the mother died. The mother, who had nurtured and protected him, died. The man stood at her grave as they lowered the coffin, and tried to cry, but no tears came. The man's father lived to a very extended old age, and withered away and died when the son was in his fifties. At the father's funeral, much to the son's surprise, he could not control his tears. Wailing, sobbing... he was apparently inconsolable. Lost. That was the story Kritzinger told me.
(fonte: Wikiquote)

O telefilme "Conspiracy", de 2001, produzido pela BBC e pela HBO, recria a Conferência de Wannsee onde foi declarada a solução final acerca do Holocausto.

"Aquilo que o Homem cria, o Homem destrói, dir-se-ia, com o mesmo prazer, como se por fim tivesse medo do mundo saído do seu cérebro e das suas mãos."

Julien Green in Paris, Tinta da China Edições.


Modigliani, "Female nude", 1916

De suave prazer, deleita-se no veludo adocicado do preto-mel.

o Reconhecido

De peito descoberto, rosto exposto, sente por si, este reconhecido, os curiosos, os demais interessados.

Por este reconhecido alguém se aproximou, observou. Alguém se empenhou, apoiou, deu-se atentamente.

Sobre aquele reconhecido examinaram, descobriram, compreenderam. Admitiram-lhe valor.

Consideraram, fielmente, cada uma das suas particularidades; admitiram-lhe as diferenças, as imperfeições; consentiram os erros; permitiram-lhe manter, mudar, renovar.

Aprovaram-no.

Aquele reconhecido reconhece-se assim, de rosto agradavelmente exposto e peito tranquilo.

ao cair da vigília

Inspiras, expiras.
Abraço o teu cheiro adocicado e entrego-me ao embalo do seu calor.
Inspiras, expiras.
Orquestras a mais apurada das peças e, ao seu sereno compasso, adormeço.

costureirinha


Uma horinha de trabalho e sabe tão bem ver a recém-chegada caixa de costura, dos anos 40/50, tão aperalta.
À venda na Cavalo de Pau.

Skinhead Attitude

Skinhead Attitude (2003), excelente documentário do suíço Daniel Scweizer, apresenta a história do movimento skinhead desde a sua origem na Jamaica, passando pela cena pós-punk em Inglaterra, pelo movimento dos mods (modernists), amantes da música negra norte americana (soul, r&b) e jamaicana (ska) – e pela divisão política que gerou, nos anos 80, duas facções: uma racista – os boneheads da extrema-direita neo-nazi; outra anti-racista – os Sharp e os Rash (skins anarquistas ou comunistas).

O documentário inclui testemunhos de músicos e de elementos da cena skin da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá, abordando os confrontos violentos entre as duas facções, responsável por algumas mortes, e a ligação a uma violenta organização neo-nazi de origem britânica, a Combat 18 (C18), associada ao movimento de propaganda neo-nazi Blood & Honour.

O documentário consegue esclarecer as origens de um movimento que, progressivamente, foi sendo relacionado com cena neo-nazi, mostrando-nos o quão incorrecta é essa associação, uma vez que na sua génese imperava o espírito de tolerância e união, princípios que os skinheads tradicionais ainda defendem).

o homem que perdeu a Palavra

Conheci um homem que perdeu a Palavra, privei com ele em demorados serões e animados jantares. Na verdade, este homem é um tipo singular, não pelas melhores razões que a singularidade encerra, mas porque a sua insana incoerência assim o tornam, num homem singular.

Determinado dia, ao percorrer uma vereda sinuosa e acidentada, desequilibrou-se e estendeu o braço para se apoiar. Subitamente, ao abrir a mão, perdeu a sua Palavra. Na verdade, o Homem Sem Palavra sempre fora descuidado, não cerrando as mãos com a força necessária para a abrigar. Já a tinha perdido, inclusivamente, em diversas ocasiões, mas desta a perda fora irreparável.

Outrora dormira com a Palavra junto ao peito, segredava-lhe doces ternuras, estimava-a olhos nos olhos, acarinhando-a com promessas de amor e lealdade.

O Homem que perdeu a Palavra tornou-se, nesse dia, um corpo desagregado, tremendo, como se fora de frio, do receio de se comprometer, de emitir juízos, de exprimir opiniões. Viu, nas mais bem intencionadas promessas e valores que anteriormente defendia cair a mais espessa das nódoas. Mas nada pôde fazer, faltava-lhe a Palavra.

Frequentemente observamo-lo em alerta, tenso, de pé atrás do outro caso urja fugir. Para contornar a sua falta, este homem, recorre constantemente a actos levianos e imponderados. É cobarde e dúbio por não defender com garra a Palavra que perdeu.

Lamento.

o hiper-realismo de Andrew Zuckerman


Absolutamente sublime é o trabalho do fotógrafo norte-americano Andrew Zuckerman na sua série Bird. Zuckerman fotografa, sobre um fundo branco e muita luz, pássaros de diversas espécies em momentos majestosos, em voo ou em descanso. Através de uma impressionante definição o fotógrafo consegue captar pormenores belíssimos e raros, os mais recônditos: as cores e a textura das plumagens, os movimentos e expressões dos olhos de cada ave, detalhes que raramente conseguimos observar.
O livro, aqui à venda, entrará brevemente em minha casa! (ehehehe!!!)
Nesse encontro, laranja azulado, eles descobriram-se.