costureirinha


Uma horinha de trabalho e sabe tão bem ver a recém-chegada caixa de costura, dos anos 40/50, tão aperalta.
À venda na Cavalo de Pau.

Skinhead Attitude

Skinhead Attitude (2003), excelente documentário do suíço Daniel Scweizer, apresenta a história do movimento skinhead desde a sua origem na Jamaica, passando pela cena pós-punk em Inglaterra, pelo movimento dos mods (modernists), amantes da música negra norte americana (soul, r&b) e jamaicana (ska) – e pela divisão política que gerou, nos anos 80, duas facções: uma racista – os boneheads da extrema-direita neo-nazi; outra anti-racista – os Sharp e os Rash (skins anarquistas ou comunistas).

O documentário inclui testemunhos de músicos e de elementos da cena skin da Europa, dos Estados Unidos e do Canadá, abordando os confrontos violentos entre as duas facções, responsável por algumas mortes, e a ligação a uma violenta organização neo-nazi de origem britânica, a Combat 18 (C18), associada ao movimento de propaganda neo-nazi Blood & Honour.

O documentário consegue esclarecer as origens de um movimento que, progressivamente, foi sendo relacionado com cena neo-nazi, mostrando-nos o quão incorrecta é essa associação, uma vez que na sua génese imperava o espírito de tolerância e união, princípios que os skinheads tradicionais ainda defendem).

o homem que perdeu a Palavra

Conheci um homem que perdeu a Palavra, privei com ele em demorados serões e animados jantares. Na verdade, este homem é um tipo singular, não pelas melhores razões que a singularidade encerra, mas porque a sua insana incoerência assim o tornam, num homem singular.

Determinado dia, ao percorrer uma vereda sinuosa e acidentada, desequilibrou-se e estendeu o braço para se apoiar. Subitamente, ao abrir a mão, perdeu a sua Palavra. Na verdade, o Homem Sem Palavra sempre fora descuidado, não cerrando as mãos com a força necessária para a abrigar. Já a tinha perdido, inclusivamente, em diversas ocasiões, mas desta a perda fora irreparável.

Outrora dormira com a Palavra junto ao peito, segredava-lhe doces ternuras, estimava-a olhos nos olhos, acarinhando-a com promessas de amor e lealdade.

O Homem que perdeu a Palavra tornou-se, nesse dia, um corpo desagregado, tremendo, como se fora de frio, do receio de se comprometer, de emitir juízos, de exprimir opiniões. Viu, nas mais bem intencionadas promessas e valores que anteriormente defendia cair a mais espessa das nódoas. Mas nada pôde fazer, faltava-lhe a Palavra.

Frequentemente observamo-lo em alerta, tenso, de pé atrás do outro caso urja fugir. Para contornar a sua falta, este homem, recorre constantemente a actos levianos e imponderados. É cobarde e dúbio por não defender com garra a Palavra que perdeu.

Lamento.

o hiper-realismo de Andrew Zuckerman


Absolutamente sublime é o trabalho do fotógrafo norte-americano Andrew Zuckerman na sua série Bird. Zuckerman fotografa, sobre um fundo branco e muita luz, pássaros de diversas espécies em momentos majestosos, em voo ou em descanso. Através de uma impressionante definição o fotógrafo consegue captar pormenores belíssimos e raros, os mais recônditos: as cores e a textura das plumagens, os movimentos e expressões dos olhos de cada ave, detalhes que raramente conseguimos observar.
O livro, aqui à venda, entrará brevemente em minha casa! (ehehehe!!!)
Nesse encontro, laranja azulado, eles descobriram-se.

o que senti em ti é agora certeza

O tempo ensaia, por vezes inseguro, incrédulo, de mãos cerradas cobre os olhos, sente o que sente ser delírio, um engano.

O presente somente pressente o que o vagar do tempo trará. Descerra desmedidamente um olhar milimétrico, evidente e confirma o presságio.

design por cá

Exposição "AICA", 1972.
Sala de António Sena da Silva com cadeiras e mesas do designer português.

Produzida inicialmente pela Olaio, a "Cadeira Sena" foi concebida em 1972 por Sena da Silva, em colaboração com Gastão Machado.

viagens

Escritório de viagem. Áustria nos anos 30/40.

letras

Móveis com gavetas de tipografia (Alemanha), do tempo em que as letras (os tipos) eram impressas a partir de caracteres de chumbo. Os móveis fotografados são de origem alemã, encontram-se à venda na loja Cavalo de Pau, na Rua de São Bento.

documentário independência - Malick Sidibé

Nascido no Mali, na década de 30, os seus retratos e fotografias documentam o desenvolvimento do seu país natal no período pós-colonial. Graças ao seu trabalho, e ao de outros fotógrafos indígenas, a fotografia começou a ser aceite pela população africana que, num primeiro contacto, temia as consequências do disparo de uma câmara fotográfica. Assim, chegam até nós, contrariamente às imagem de pobreza e miséria, testemunhos de uma geração confiante numa África sonhadora, orgulhosa e independente. Longe de cenários de guerras e de fome, a juventude maliana nos anos 60 e 70 dançava fervilhosamente ao ritmo do twist e do merengue: "Eles gostavam de festas e eu seguia-os para todo o lado. É a eles que tenho que agradecer por me ter tornado um fotógrafo famoso" afirma o fotógrafo Malick Sidibé no documentário sobre o seu trabalho: "Dolce Vita Africana", de 2008.
"Merengue dancer", 1964
"Regardez-Moi!", 1962
"The Whole Family on a Motorcycle", 1962
"Three young men"
Nas suas fotografias é frequente observar a coexistência de objectos próprios do estilo de vida ocidental com elementos tradicionais, como as vestes e os panos que utiliza como fundo - muitas vezes são bogolans, tecidos tradicionais feitos pela tribos Dongon, Bambara e Malinkés.
" Une Amoureuse de The"
Na fotografia "Christmas Eve", em segundo plano, encontra-se a famosa cadeira de café - Chaise A, desenhada por Xavier Pauchard, em 1934, para a marca francesa Tolix. A cadeira, que serviu para equipar bares, cafés, hospitais e parques públicos, lembra-nos a ocupação francesa que permaneceu no Mali desde o final do século XIX até 1960, data da sua independência.
"Christmas Eve", 1963
Integrada no Festival doclisboa 2010, a fabulosa exposição do fotógrafo maliano encontra-se patente no Palácio das Galveias, até finais de Novembro.