o hiper-realismo de Andrew Zuckerman


Absolutamente sublime é o trabalho do fotógrafo norte-americano Andrew Zuckerman na sua série Bird. Zuckerman fotografa, sobre um fundo branco e muita luz, pássaros de diversas espécies em momentos majestosos, em voo ou em descanso. Através de uma impressionante definição o fotógrafo consegue captar pormenores belíssimos e raros, os mais recônditos: as cores e a textura das plumagens, os movimentos e expressões dos olhos de cada ave, detalhes que raramente conseguimos observar.
O livro, aqui à venda, entrará brevemente em minha casa! (ehehehe!!!)
Nesse encontro, laranja azulado, eles descobriram-se.

o que senti em ti é agora certeza

O tempo ensaia, por vezes inseguro, incrédulo, de mãos cerradas cobre os olhos, sente o que sente ser delírio, um engano.

O presente somente pressente o que o vagar do tempo trará. Descerra desmedidamente um olhar milimétrico, evidente e confirma o presságio.

design por cá

Exposição "AICA", 1972.
Sala de António Sena da Silva com cadeiras e mesas do designer português.

Produzida inicialmente pela Olaio, a "Cadeira Sena" foi concebida em 1972 por Sena da Silva, em colaboração com Gastão Machado.

viagens

Escritório de viagem. Áustria nos anos 30/40.

letras

Móveis com gavetas de tipografia (Alemanha), do tempo em que as letras (os tipos) eram impressas a partir de caracteres de chumbo. Os móveis fotografados são de origem alemã, encontram-se à venda na loja Cavalo de Pau, na Rua de São Bento.

documentário independência - Malick Sidibé

Nascido no Mali, na década de 30, os seus retratos e fotografias documentam o desenvolvimento do seu país natal no período pós-colonial. Graças ao seu trabalho, e ao de outros fotógrafos indígenas, a fotografia começou a ser aceite pela população africana que, num primeiro contacto, temia as consequências do disparo de uma câmara fotográfica. Assim, chegam até nós, contrariamente às imagem de pobreza e miséria, testemunhos de uma geração confiante numa África sonhadora, orgulhosa e independente. Longe de cenários de guerras e de fome, a juventude maliana nos anos 60 e 70 dançava fervilhosamente ao ritmo do twist e do merengue: "Eles gostavam de festas e eu seguia-os para todo o lado. É a eles que tenho que agradecer por me ter tornado um fotógrafo famoso" afirma o fotógrafo Malick Sidibé no documentário sobre o seu trabalho: "Dolce Vita Africana", de 2008.
"Merengue dancer", 1964
"Regardez-Moi!", 1962
"The Whole Family on a Motorcycle", 1962
"Three young men"
Nas suas fotografias é frequente observar a coexistência de objectos próprios do estilo de vida ocidental com elementos tradicionais, como as vestes e os panos que utiliza como fundo - muitas vezes são bogolans, tecidos tradicionais feitos pela tribos Dongon, Bambara e Malinkés.
" Une Amoureuse de The"
Na fotografia "Christmas Eve", em segundo plano, encontra-se a famosa cadeira de café - Chaise A, desenhada por Xavier Pauchard, em 1934, para a marca francesa Tolix. A cadeira, que serviu para equipar bares, cafés, hospitais e parques públicos, lembra-nos a ocupação francesa que permaneceu no Mali desde o final do século XIX até 1960, data da sua independência.
"Christmas Eve", 1963
Integrada no Festival doclisboa 2010, a fabulosa exposição do fotógrafo maliano encontra-se patente no Palácio das Galveias, até finais de Novembro.

odisseia nocturna

"A Morte do Senhor Lazarescu" (2005), filme romeno realizado por Cristi Puiu, possui um argumento fortíssimo baseado num episódio ocorrido, uns anos antes em Bucareste, em que um doente fora abandonado na rua pela ambulância que o transportava por ter sida recusada a sua entrada em inúmeras urgências hospitalares da cidade.
O filme fala-nos não só do abandono dos idosos pelas suas famílias, da sua solidão e dor, como ainda da falta de sensibilidade e indiferença no seu tratamento por aqueles que os rodeiam e pelo pessoal médico.
O senhor Dante Lazarescu, um viúvo reformado, apesar de morar num grande edifício em Bucareste bastante habitado, vive sozinho num apartamento, menosprezado pelos vizinhos por beber uns copos a mais. A história que nos conta poderia chegar a nós através de um vizinho nosso, perdido, desprezado nas urgências de vários hospitais, onde, devido à sua situação social, é atendido pelos profissionais de saúde com bastante relutância.

Durante uma longa e cansativa noite vemos o seu caso clínico a ser examinado sem qualquer tipo de seriedade e profissionalismo: seguem-se os diagnósticos díspares, são recusados tratamentos e análises e Lazarescu vê-se constantemente ultrapassado por casos aparentemente mais urgentes. Assistimos assim a um conjunto de actos médicos levianos e ao um leque de discussões entre os técnicos de saúde que teimam mais em afirmar hierarquias profissionais e autoridade de cada, do que prestar um bom serviço médico.
Entretanto, minuto após minuto, observamos a saúde do senhor Lazarescu a deteriorar- se profundamente...

“Esse sentimento de verdade do cinema”

Em Lola, tudo para mim é cinema.
Lola (2009), de Brillante Mendoza, é filme de uma crua pureza que retrata a história da vida de duas famílias, aproximando-se do cinema documental na denúncia que, através de um duro realismo, faz da sociedade, da (in) justiça e da extrema pobreza filipina.

Saí da sala de cinema devastada, perdida ainda pelas ruas labirínticas da chuvosa Manila, sustendo a respiração à chuva, de mãos dadas com as daquelas avós cuja dignidade se revela em cada passo, na luta que travam pelas suas famílias. Uma história de compaixão e perdão que torna as duas avós, aparentemente frágeis, em verdadeiros exemplos de uma heróica força interior.

Sem truques cinematográficos, diálogos desnecessários, teatrais e jogos de luzes artificiais, sentimo-nos arrancados para aquela cidade, molhados pela tumultuosa tempestade. Os planos próximos – que revelam os seus rostos, os seus olhos lacrimosos – e a calma com que são filmadas, tornam as personagens demasiado reais. Caracterizadas por pequenos e deliciosos detalhes, lembram-nos as nossas avós: a forma como caminham, como se comportam e a sua mímica: a maneira como amparam o chapéu-de-chuva, a mão que arranja o cabelo ao vento e a precisão com que são dobrados os lenços que transportam o dinheiro.

A respeito desse realismo, dessa naturalidade no cinema, Brillante Mendoza diz à Ípsilon: “Os planos com cenas de chuva e de vento misturam artifício e realidade, sim", confirma o realizador. "Não estou a perder o que desenvolvi antes, ou seja, esse sentimento de verdade do cinema. Estou a trazer algo de novo ao meu cinema. E alguns efeitos existem para tornar as coisas mais eficazes. Mas, tal como nos outros meus filmes, também aqui não ensaiei com os actores, a não ser questões técnicas. Digo-lhes para fazer o que têm a fazer e filmo-os.

Um autêntico hino ao cinema. Adorei.

a última visão de uma heroína

Luís Campos, " The last vision of Homa Darabi", 1999
"Homa Darabi, Professor of Child Psychiatry at the National University of Teheran, stood out in the resistance to the rigid Islamic dress code, and because of this was persecuted and molested by the security forces. Although sh was considered to be a distinguished member of her profession both in her own country and internationally she was dismissed from herduties in December of 1991 and thereby condemned to inactivity. In the February of 1994, Doctor Homa Dorabi made her way to one of the central streets of Teheran, pulled her scarf off her head and the "chador", that the womem in Iran are obliged to wear, poured petrol over her body and set fire to herself, and as she was dying shouted, "Down with tyranny, liberty forever, long live Iran."

A obra "The last vision of Homa Darabi" pode ser vista na exposição *08 “A Arte é a Melhor Forma de Perceber o Mundo” patente no espaço BES Arte & Finança, até dia 18 de Novembro. Esta fotografia, inserida na série "A Última Visão dos Heróis" de Luís Campos, fotógrafo português, revela-nos aquela que poderá ter sido a última visão de Homa Darabi, uma mulher de 52 anos de idade, que se imolou em público na Praça Tajrish, uma das mais movimentadas da cidade de Teerão, protestando a favor dos direitos das mulheres islâmicas.

Homa Darabi