odisseia nocturna

"A Morte do Senhor Lazarescu" (2005), filme romeno realizado por Cristi Puiu, possui um argumento fortíssimo baseado num episódio ocorrido, uns anos antes em Bucareste, em que um doente fora abandonado na rua pela ambulância que o transportava por ter sida recusada a sua entrada em inúmeras urgências hospitalares da cidade.
O filme fala-nos não só do abandono dos idosos pelas suas famílias, da sua solidão e dor, como ainda da falta de sensibilidade e indiferença no seu tratamento por aqueles que os rodeiam e pelo pessoal médico.
O senhor Dante Lazarescu, um viúvo reformado, apesar de morar num grande edifício em Bucareste bastante habitado, vive sozinho num apartamento, menosprezado pelos vizinhos por beber uns copos a mais. A história que nos conta poderia chegar a nós através de um vizinho nosso, perdido, desprezado nas urgências de vários hospitais, onde, devido à sua situação social, é atendido pelos profissionais de saúde com bastante relutância.

Durante uma longa e cansativa noite vemos o seu caso clínico a ser examinado sem qualquer tipo de seriedade e profissionalismo: seguem-se os diagnósticos díspares, são recusados tratamentos e análises e Lazarescu vê-se constantemente ultrapassado por casos aparentemente mais urgentes. Assistimos assim a um conjunto de actos médicos levianos e ao um leque de discussões entre os técnicos de saúde que teimam mais em afirmar hierarquias profissionais e autoridade de cada, do que prestar um bom serviço médico.
Entretanto, minuto após minuto, observamos a saúde do senhor Lazarescu a deteriorar- se profundamente...

“Esse sentimento de verdade do cinema”

Em Lola, tudo para mim é cinema.
Lola (2009), de Brillante Mendoza, é filme de uma crua pureza que retrata a história da vida de duas famílias, aproximando-se do cinema documental na denúncia que, através de um duro realismo, faz da sociedade, da (in) justiça e da extrema pobreza filipina.

Saí da sala de cinema devastada, perdida ainda pelas ruas labirínticas da chuvosa Manila, sustendo a respiração à chuva, de mãos dadas com as daquelas avós cuja dignidade se revela em cada passo, na luta que travam pelas suas famílias. Uma história de compaixão e perdão que torna as duas avós, aparentemente frágeis, em verdadeiros exemplos de uma heróica força interior.

Sem truques cinematográficos, diálogos desnecessários, teatrais e jogos de luzes artificiais, sentimo-nos arrancados para aquela cidade, molhados pela tumultuosa tempestade. Os planos próximos – que revelam os seus rostos, os seus olhos lacrimosos – e a calma com que são filmadas, tornam as personagens demasiado reais. Caracterizadas por pequenos e deliciosos detalhes, lembram-nos as nossas avós: a forma como caminham, como se comportam e a sua mímica: a maneira como amparam o chapéu-de-chuva, a mão que arranja o cabelo ao vento e a precisão com que são dobrados os lenços que transportam o dinheiro.

A respeito desse realismo, dessa naturalidade no cinema, Brillante Mendoza diz à Ípsilon: “Os planos com cenas de chuva e de vento misturam artifício e realidade, sim", confirma o realizador. "Não estou a perder o que desenvolvi antes, ou seja, esse sentimento de verdade do cinema. Estou a trazer algo de novo ao meu cinema. E alguns efeitos existem para tornar as coisas mais eficazes. Mas, tal como nos outros meus filmes, também aqui não ensaiei com os actores, a não ser questões técnicas. Digo-lhes para fazer o que têm a fazer e filmo-os.

Um autêntico hino ao cinema. Adorei.

a última visão de uma heroína

Luís Campos, " The last vision of Homa Darabi", 1999
"Homa Darabi, Professor of Child Psychiatry at the National University of Teheran, stood out in the resistance to the rigid Islamic dress code, and because of this was persecuted and molested by the security forces. Although sh was considered to be a distinguished member of her profession both in her own country and internationally she was dismissed from herduties in December of 1991 and thereby condemned to inactivity. In the February of 1994, Doctor Homa Dorabi made her way to one of the central streets of Teheran, pulled her scarf off her head and the "chador", that the womem in Iran are obliged to wear, poured petrol over her body and set fire to herself, and as she was dying shouted, "Down with tyranny, liberty forever, long live Iran."

A obra "The last vision of Homa Darabi" pode ser vista na exposição *08 “A Arte é a Melhor Forma de Perceber o Mundo” patente no espaço BES Arte & Finança, até dia 18 de Novembro. Esta fotografia, inserida na série "A Última Visão dos Heróis" de Luís Campos, fotógrafo português, revela-nos aquela que poderá ter sido a última visão de Homa Darabi, uma mulher de 52 anos de idade, que se imolou em público na Praça Tajrish, uma das mais movimentadas da cidade de Teerão, protestando a favor dos direitos das mulheres islâmicas.

Homa Darabi

espectro teatral

Máscara africana da tribo Fang

mesa?

Esta mesa é composta pela estrutura em ferro de uma mesa de máquina de costura da marca alemã Seidel & Naumann e por uma porta de celeiro africana. Encontra-se à venda na loja Cavalo de Pau, na Rua de São Bento.

arrivederci a presto!...¡adiós! ... bye!

De manhã apareceram aos magotes os espanhóis, um grego distinto demorou-se por entre os candeeiros e os projectores e apareceu um casal suíço com uma vasta colecção de arte indiana fotografada através do telemóvel: "Adieux! Merci, Merci!". Extasiados, encontraram em Portugal mais uma peça para a sua vitrina.

Museu da Cerâmica - o gato...

....é um dos animais favoritos de Rafael Bordalo Pinheiro
Gato. Rafael Bordalo Pinheiro
Gato Bizantino. Fábrica das Faianças das Caldas da Rainha
(Fonte: http://cavacosdascaldas.blogspot.com)
"A paixão de Bordalo pelos gatos é uma vertente pouco explorada pelos investigadores. Segundo Isabel Castanheira, “é um elemento muito participante nas suas caricaturas, no seu grafismo e na cerâmica”. “Não é só a paixão que ele tem pelos gatos, há estampas em que ele diz que já foi gato e há textos que descrevem a vida dele com gatos, não sei se ele acreditava que era uma reencarnação, mas há determinadas alturas em que ele se considera gato”, indica, interrogando: “Será que por ser um animal fantasioso, imaginativo e pouco dominável, havia aí uma determinada equivalência e quis fazer do gato o alter-ego dele?”."
Peça decorativa. Caldas da Rainha.

Museu da Cerâmica - cozinha

Garrafão do século XIX. Barro vidrado.
Barro vidrado polícromo com escorridos.
J.Reis. 1945
Pote do século XVIII. Aveiro

Jardim do Museu da Cerâmica

Criado em 1983, o Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha instalou-se no palacete da Quinta Visconde de Santarém, edifício do final do século XIX.
No seu jardim, de serpenteados misteriosos, encontrei esculturas românticas, cerâmica contemporânea e algumas peças da autoria de Rafael Bordalo. Peças tristes, pousadas em tabuados de madeira, desejando um pedestal à sua altura.
Peças de Rafael Bordalo Pinheiro
Escultura em grés vidrado de Renato Vieira

cadeira de reizinho

Altivo, o senhor arquitecto falava numa reportagem televisiva à boa maneira do arquitecto português de barriga cheia. Falava aquele que não tem um rei, mas sim um reino na barriga. Como não me interessa ouvir falar de arquitectura em biquinhos dos pés, desliguei-me da sua voz e concentrei-me no espaço que habitava. Aquela cadeira era fabulosa, um pedestal perfeito para a vaidade do seu ocupante. Um verdadeiro trono, uma poltrona real. Fabulosa!
No outro dia, ao desfolhar uma revista, reencontrei-a. Elegante e determinada, foi desenhada por Alfredo Häberli em 2003, para a Moroso.
Boa escolha, senhor arquitecto!