sensualidade caramelo




(Fonte: bacfilms.com/site/caramel/)
A vida de cinco mulheres cruza-se num salão de beleza em Beirute, a cidade cosmopolita do Médio Oriente que melhor ilustra o confronto entre o mundo ocidental e o islâmico por pertencer a um dos países árabes que, em conjunto com a Tunísia, se assume mais liberal no que respeita aos direitos cívicos e aos direitos das mulheres.
O salão Sibelle, um pequeno mundo, doce como o caramelo, reflecte a condição da mulher libanesa. O caramelo, usado como base na cera depilatória, inicialmente provoca dor, mas ao longo do filme percebemos que traz consigo bem-estar e melhora a auto-estima das personagens, numa cidade onde muitas mulheres ainda se cobrem.
Em Sibelle, num ambiente de uma relativa liberdade e sofisticação, Nadine Labaki introduz subtilmente algumas marcas de um regime autoritário, tais como o divórcio, a noiva que se sente obrigada a recorrer a uma cirurgia de reconstrução do hímen numa sociedade que ainda não aceita o sexo pré-nupcial; os hotéis que apenas aceitam reservas de mulheres casadas e a mulher lésbica que não consegue assumir, nem abordar o assunto com as amigas.
Paradoxalmente, tal como o caramelo que é doce mas magoa, as vidas das cinco mulheres são habitadas por sonhos, os quais tentam realizar no limite da transgressão aos valores tradicionais, deixando-se, por outro lado, seduzir por essas mesmas tradições familiares, tais como a ideia de matrimónio.
suzanis

Existem dois significados para a palavra ”suzani”; em persa ela significa Beleza Tribal, todavia há quem se refira apenas a “trabalho de agulha”.
Para além do dote das suas filhas, as mulheres produzem almofadas, cortinas, colchas, peças de parede, toalhas e tapetes de oração para cada habitante de sua casa. Para o dote de uma filha, o trabalho inicia-se logo depois do seu nascimento e, com a colaboração de familiares e amigos, é completado até ao seu noivado.




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Bergman

Bogolan
Os Bogolan são tecidos tradicionais do Mali, frequentes nas tribos de Dongon, Bambara e Malinkés. A palavra Bogolan deriva de um dialecto local: bogo significa argila, lama, terra e lan - feito de. Tecidos feitos de terra.
A produção dos Bogolan envolve um processo moroso. O tecido de algodão branco é a sua matéria-prima, tecido num tear duplo pelos homens da população, em tiras estreitas. As tiras são posteriormente cosidas entre si, dando forma e dimensão ao pano.





Os motivos baseiam-se na vida rural ou urbana africana, na natureza e nos inúmeros ideogramas e formas geométricas tradicionais de cada tribo.


Kilims
A palavra kilim significa “tapete sem pêlo” ou “tapete de dupla face”. Os kilims são reversíveis uma vez que na sua produção, em vez dos nós utilizados na confecção dos tapetes mais frequentes, são dadas laçadas por entre os fios da urdidura, tal como se de um bordado se tratasse.
Existem diversos termos para a sua denominação: gelim no Irão; kelim no Afeganistão; kylym na Ucrânia, palas no Cáucaso, bsath na Síria e Líbano, chilim na Roménia e kilim na Turquia, Polónia, Hungria e Sérvia.
Uma vez que eram utilizados na sua produção materiais de pouca resistência, os kilims encontrados nos locais arqueológicos revelam-se insuficientes para a afirmação de uma data ou modo de tecelagem original. Neste sentido, é difícil estabelecer o seu aparecimento ou a tribo que o produziu. Todavia, em 1947, um arqueólogo russo, durante as escavações a uma sepultura no sul da Sibéria encontrou um kilim extremamente bem conservado. Após diversas análises, constatou-se que a peça pertenceria ao século
Até há poucas décadas os coleccionadores consideravam o kilim de inferior qualidade em relação aos tapetes orientais. Durante gerações foi esta a ideia que se manteve dos kilims, sendo que na maioria dos livros especializados em tapeçaria descreviam-nos em poucas linhas, como sendo um simples e inferior produto tribal. Há três décadas deu-se uma explosão de interesse nestas peças para fins decorativos, utilitários e para colecção, sendo que as suas características e qualidades conquistaram todo mundo ocidental.
Porém existem ainda kilims que continuam a ser utilizados tal como foram durante séculos na Ásia: como peças decorativas que cobriam o chão, paredes e mobiliário. Todas estas funções expõem o carácter e tradições das pessoas que os teceram à mão, nos seus teares rudimentares, usando técnicas específicas de tecelagem, motivos e composições, transmitidas de geração a geração.
A técnica de tecelagem utilizada, a que apenas entrecruza os fios de lã, cabelo ou fibras vegetais, deverá ter surgido para fazer face às necessidades básicas de vestuário, abrigo, armazenamento ou para o conforto dos abrigos – como almofadas, cobertas para o chão e paredes.
Apesar de existirem inúmeras referências históricas, é certo que esta simples técnica de tecelagem era uma ocupação estabelecida e florescente à data. A domesticação da ovelha, da cabra, dos camelos e dos cavalos tornaram a lã e o pêlo facilmente disponíveis, por outro lado, os pigmentos foram sendo desenvolvidos, sintetizados a partir de fontes animais e vegetais.
Os motivos e elementos de decoração dos kilims estão intimamente associados à identidade de cada tribo. Os símbolos e desenhos aplicados eram claros e fáceis de serem reconhecidos a uma determinada distância, de forma a permitir que todos aqueles que circulassem por perto conseguissem distinguir a tribo. Estes símbolos tribais, por outro lado, reforçavam a integridade do próprio grupo.
gatos
barros negros de ribolhos
Olaria de Nisa
Assim, a olaria de Nisa tem como principal função a conservação da água fresca para uso doméstico e o seu transporte pelos viajantes e trabalhadores rurais.
Na composição da pasta entram dois tipos de barro, o barro branco e o barro preto, utilizando-se ainda para o acabamento da peça o barro vermelho.
Nas incrustrações empregam-se fragmentos de quartzo. As decorações são levadas a cabo por mulheres, sendo os motivos mais frequentes são as flores e plantas típicas da região.
A partir dos anos 60 deu-se uma crescente procura destas peças para fins decorativos. Esta procura originou uma adaptação na tipologia de peças executadas e na sua decoração. Deste modo, para além do tradicional vasilhame, começaram-se a produzir artefactos decorativos tais como pratos, travessas, cinzeiros, pequenas réplicas de animais, entre outros. No que toca à decoração, mesmo nas peças mais tradicionais, começou-se a utilizar pedra de menor calibre (chamada de 1ª e de 2ª) e em apenas uma linha ou ida, como dizem os populares.
Produz-se igualmente em Nisa os chamados potes de roça ou potes roçados, cuja técnica de execução e o resultado final são bastante distintos dos da restante olaria nisense.
Através desta técnica apenas se produzem potes.
O barro é trabalhado em cima de pó de quartzo, ficando visível apenas na superfície externa da peça. Estas peças são extremamente resistentes e refrescarem mais a água do que os potes lisos, uma vez que o quartzo torna barro mais poroso, acelerando o processo de arrefecimento.


