"Pra Quem Mora Lá o Céu É Lá"

Podemos encontrar no Museu Berardo uma selecção das obras da dupla brasileira Os Gémeos - os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo -, bem como uma série de trabalhos produzidos, ou adaptados, ao espaço que lhes foi destinado.

A dupla começou a grafitar em São Paulo, no bairro do Cambuci, no final dos anos 80. Hoje, os seus trabalhos podem ser vistos não só nas ruas, do Brasil e de várias cidades europeias, como numa série de galerias.

No Museu Berardo criam, num amplo espaço, um cenário imaginário, fantástico, cheio de histórias, personagens e elementos oníricos. Apresentam várias instalações, pinturas sobre paredes, telas, portas, rádios, instrumentos musicais...

Uma parede, coberta de portas sugere riqueza visual de quem a olha uma favela, cheia de cores, materiais e expressões distintas.
"O nosso trabalho reflecte as vivências, o olhar, os sonhos, as histórias, os relacionamentos familiares, a poesia, a música, a comida, o folclore do Brasil, o silêncio, pessoas que vivem com salários de miséria mas estão sorrindo, tudo isso é filtrado." ípsilon

Aqui pode ser visto o mural que fizeram em Lisboa, na Av Fontes Pereira de Melo.

cores aguardente

* rosa aldeia
* verde ferrugem

Passeio por uma aldeia. Vislumbro um par de cores, vincadas pelo uso, garridas pela chuva. As duas expressões de "tempo" coabitam de forma perfeita. As duas cores abraçam-se. Dou entrada, atrevida, quase ao estilo ladrão, na Fábrica de Aguardente.

love you, soft kilims

Christian Dell


Candeeiro de secretária arte déco, desenhado em 1930 por Christian Dell,que trabalhou como mestre em metal na Bauhaus entre 1922-25. É completamente construído em baquelita (bakelite), um tipo de material de plástico (resina sitética que resulta da condensação de fenóis com aldeído fórmico) que foi inventado pelo belga Leo Beakeland (1863 - 1944).

Christian Dell trabalhou como mestre em metal na Bauhaus entre 1922-25. Aqui, ele veio a colaborar com László Moholy-Nagy e produziu inúmeros candeeiros de escritórios:

os Ratinhos - faiança popular de Coimbra


Os "Ratinhos" é uma expressão que denomina os trabalhadores rurais da Beira que migravam sazonalmente para o Alentejo na época das ceifas.
Os Pratos Ratinho, produzidos desde os finais do século XVIII, decorados com flores, penas e, mais tarde com figuras típicas, são louça vidrada de produção popular das fábrica de faiança de Coimbra. Louça amplamente difundida e comerciada por ser extremamente barata, devido à fraca qualidade e ausência de valor artístico.

Estes pratos eram então levados para o Alentejo por aqueles “Ratinhos” que pretendiam, durante o tempo de estadia nos latifúndios, possuir um prato próprio, evitando partilhar o mesmo prato com várias pessoas na hora da refeição.

Esta louça denominava-se ainda por "Troca-Trapos", pois era costume, no final da época da ceifa, serem trocadas por roupas, mantas ou tecidos da Fábrica de Lanifícios.

As famílias mais pobres, que não possuíam estanhos ou cobres, decoravam as suas casas com estes pratos de loiça vidrada, garrida e popular, a qual era colocada em bonitas estanheiras.