o móvel em Portugal - do artesanal ao industrial

Até ao século XI, Portugal produziu peças de mobiliário de excelente qualidade que resultavam do fabuloso trabalho dos artífices com as madeiras autóctones e daquelas provenientes das antigas colónias. Era produzido mobiliário com entalhados e embutidos notáveis, de suas linhas sinuosas e torneadas era extremamente apreciado pelo mundo inteiro.

Ao longo do século XX, o modo de vida dos centros urbanos foi-se alterando. Em Portugal, país de fortes tradições e sob um regime conservador, as alterações ao modo de vida foram surgindo de forma mais lenta do que o que se foi verificadondo nos restantes países da Europa e dos Estados Unidos da América.

De forma a acompanhar este novo ritmo de vida urbano, tornou-se urgente criar meios para a produção eficientemente de uma grande variedade de objectos em massa, executados em vários materiais e através diferentes métodos. Deu-se assim desenvolvimento do design industrial.

Logicamente, estas questões tiveram implicações na indústria do mobiliário que, em Portugal, já se encontrava desactualizada devido à ausência de técnicos especializados no processo industrial.

Deste modo, arquitectos e artistas plásticos nacionais transferiram-se para o estrangeiro de forma a trabalhar com designers. Frederico George trabalhou com Walter Gropius e Mies van der Rohe, importando os novos ideais da escola de Bauhau, dando assim início à reformulação do ensino académico. António Sena da Silva escreve o artigo Formas Utilitárias Industriais e Artesanais. Equipamento e Pormenorização Decorativa” onde demonstrou a sua preocupação acerca da produção industrial e do papel do designer. Sena afirma ser indispensável a passagem da produção artesanal para a produção industrial.

Assim, na década de 50, um pequeno núcleo de arquitectos e artistas, a par do progresso da formação do designer, desafiaram os produtores de mobiliário a desenvolver novos modelos de produção que previssem a intervenção do designer.

A mensagem chegou a diversas oficinas de produção artesanal e a fábricas, nas quais predominava ainda o trabalho manual. A Sousa Braga Filhos Lda; a Olaio móveis e decoração; a Jerónimo Osório de Castro, a FOC, a MIT, a Longra e a Altamira, foram as que facilmente aderiram ao desafio.
Nestas empresas, a produção manual deu lugar, progressivamente, à produção mecanizada.

os seus Robertos

No Brasil os fantoches são designados por mamulengo.

Mão molenga: movimentos mais vivos e naturais.

Os mamulengos são a forma mais primitiva e popular do teatro de marionetas, com maior expressão em Pernambuco. Estas figurinhas animavam eventos festivos, feiras, praças e ruas

Tal como na Europa, inicialmente os fantoches centravam-se em cenas religiosas de forma a ensinar a história bíblica. Todavia, foram sendo gradualmente introduzidos temas profanos através de cenas do quotidiano, da caricatura de personagens e instituições. As histórias eram, geralmente, improvisadas no acto da representação, mediante a reacção do público.

Entre várias, aparecem personagens animais (cobras, bois e feras); humanas (vaqueiros, latifundiários, donzelas, heróis e bandidos) e entidades sobrenaturais (o Diabo, a Alma e a Morte).

Os bonecos de mamulengo possuem a cabeça e mãos feitas em madeira (mulungu ou imburana) e o corpo vazio, em pano, como uma luva.

crime passional


Ele:
Sou o poeta mais bonito que conheces?
Silêncio
Ele: Conheces um poeta mais bonito?! Gostaria de apanhá-lo num beco escuro e esfaqueá-lo com um verso.

Javier Zabala Herrero


a peste

Varmints de Marc Craste (2008)
No Monstra, numa sessão de animação infantil, deliciei-me com uma criatura, encerrada numa cidade automatizada, afectada por uma indiferença como se se tratasse de uma praga, que procura conservar o mundo natural, cuidadando zelosamente de uma flor.
Agradou-me a ideia da existência de mundos paralelos que sobrevoam esta mesma cidade, medusas que preservavam a Natureza no seu estado puro, mundos destinados às criaturas conscientes, que não se contentam com o marchar padronizado, anónimo, das vidas daqueles que os rodeavam.
O trailer desta curta-metragem poderá ser visto aqui.

um Mal(acto)

De que vale à televisão pública ter programas como o Biosfera na sua programação, quando em horário nobre permite, no programa Jogo Duplo, apresentado por José Carlos Malato, uma conversa trocista entre o apresentador e um concorrente, acerca de produtos biológicos. O concorrente ofereceu a Malato uma chouriça de Mafra e um toucinho, ironizando que eram biológicos. Malato não se conteve e colocou a assistência também a gozar com essa possibilidade. Como diz alguém aqui por perto, a parvoíce é como as cerejas.
Não caberá a um canal estatal, em horário nobre, evitar comentários retrógrados, ignorantes, capazes de manter vivos determinados preconceitos?

vergonha é NÃO ter grandes questões

Adoro o meu novo trabalho. Encaro-o, para além de muito muito mais, como um posto de vigia onde observo atentamente comportamentos humanos. Ali sinto-me a enriquecer todos os dias. Cresço, cresço, cresço. Torno-me uma pessoa mais consciente.
Depois de exercer arquitectura em ateliers fechados ao mundo, áridos de emoções e de contactos humanos, reconheço que um trabalho, para mim, nunca poderá ser apenas a execução de tarefas. Sufoco. Preciso de uma energia que só o contacto humano directo me permite.
E esta noite, depois de atender uma série de casais disfuncionais com crias (porque o são, apenas crias), mimadas, mas mal-amadas, penso na sorte que tive em ter levado aquele pontapé há um ano. Aquele pontapé que me fez repensar, reflectir-me.
E quando me perguntam se não me faz confusão ter um curso e não o exercer, digo que NÃO!, porque naquele modelo de trabalho nunca me senti expandir como agora, inspirada, motivada, feliz. E quando me perguntam se não me envergonho em trabalhar numa loja, lembro-me da história da Regina, uma colega, que quando uma criança atravessou o balcão para roubar um chupa-chupa a mãe disse:
- "Filho, não te ponhas aí atrás que isso é descer na vida."
Ela respondeu qualquer coisa como:
- "Pois é pequenino, roubar é descer na vida."
Vergonha é (des)educar assim uma criança, pensar como esta senhora e deixar tal preconceito limitar as suas experiências de vida. Vergonha é comportar-se de forma snob e viver sem levantar questões, seguindo passo a passo um caminho planeado, controlado, confortável. Vergonha teria eu ao sentir uma vida insípida, sem as cores da criatividade e a vibração de poder sentir-me espontânea.
Felizmente, levei aquele pontapé e não me tornei em mais uma deles!