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Óbidos inspira-me. Sinto-me uma magia peculiar pelas suas ruas, não apenas pela história e pelo seu deslumbrante património arquitectónico, mas pela dinâmica cultural que, desde há uns anos, cresce por lá. Vejo aparecer lojas e ateliers que apostam e recuperam artigos tradicionais e de artesanato, como a Olaria de S. Pedro, onde nos perdemos em conversas sobre técnicas e efeitos de cerâmica e onde me encantei com as peças coloridas de Sónia Borga (aqui alguns trabalhos em colaboração com Vitor Silva Santos) e cruzo-me com a cerâmica Raku, técnica de origem japonesa.
Cruzo-me depois com o trabalho da Ana Todo-Bom, ceramista das Caldas da Rainha que cria peças com extraordinários padrões e cores. Fiquei de voltar para adquirir uma peça sua.
Imagino como seria mudar a vida novamente, agora ali, longe de Lisboa, serena e de mãos no barro, uma hipótese, mais um sonho.

Foi lá que encontrei um fabuloso conjunto de café da SECLA constituído por cinco chávenas, leiteira, açucareiro e bule. Encontrei ainda copos para água e licor Made in Portugal, cujo vidro possui cores e reflexos já difíceis de encontrar.
Em dias da produção em série, da falta de qualidade e dos preços acessíveis torna-se fácil comprar e renovar as louças e utensílios lá de casa. Tudo é efémero.
Mas há peças que resistem a este ritmo e ao passar acelerado do tempo. Peças que povoam as nossas memórias de infância como as caixinhas de toffees da Quality Street onde a minha avó guardava os botões, as agulhas e os alfinetes.