Big Time Sensuality

Lovers in an upstairs room - Kitagawa Utamaro (1788)
Girl Powdering Her Neck - Kitagawa Utamaro (1790)
Lovers behind Umbrella - Kitagawa Utamaro (Ca. 1798-1802)

We just met
And I know I'm a bit too intimate
But something huge is coming up
And we're both included.
Bjork

Simplesmente, obrigada.

no meu jardim

fonte: cinecartaz.publico.pt
Dos sapatinhos de porcelana da minha Agnès Varda cada um apaixonou-se por uma frase:
Ele: A lembrança da felicidade é ainda a felicidade, de "Les Demoiselles de Rochefort on eut 25 ans", um fabuloso documentário sobre a Memória. A memória da rodagem, em 1967, do filme "Les Demoiselles de Rochefort" de Jaques Demy, a memória da cidade, dos figurantes, da dança, das crianças e, sobretudo, a memória da ternura que sentia pelo seu marido.
Ela: Sonhar aclara a vidência, de "Le Lion Volatil", uma curta-metragem sobre o mundo do Leão de Belfort, a estátua da praça Denfert-Rochereau, que tem um osso na boca, desaparece e transforma-se em gato segundo a paixão da menina cartomante.
Depois de ler aqui mais sobre ela, apaixonei-me por esta: Temos de cultivar essa imaginação como se fosse um jardim.
Ele semeia flores de cores vistosas, brilhantes, formosas, planta arbustos exóticos e árvores perfumadas.
Almond Blossom (1890) - Vincent van Gogh

Os animais têm direitos?

"A proibição da compra e reprodução de espécies selvagens por parte dos donos dos circos colocou o assunto de novo no centro do debate público


Albert Schweitzer (1875-1965), médico e filósofo alsaciano, percursor da bioética e Prémio Nobel da Paz 1952, foi muitas vezes alvo de troça por parte dos seus contemporâneos por ter o cuidado de não pisar insectos e evitar matar os micróbios que observava através do microscópio.

Schweitzer defendia que "tudo o que é vivo tem o direito de viver" e que "nenhum sofrimento pode ser imposto sobre coisas vivas para satisfazer o desejo dos homens". Muitos, contudo, consideravam exagerada esta visão da "coisa viva". Não pelo facto de o filósofo defender intransigentemente a vida, mas por valorar de igual modo formas de vida aparentemente tão díspares como a do Homem e a do insecto, a do cão e a do micróbio.

Em "O Cão do Filósofo", o alemão Raimond Gaita conta-nos como gastou mais de dois mil dólares em despesas veterinárias depois de Gypsy, a cadela da família, ter sido atropelada e do quanto ele e a mulher tiveram de trabalhar ainda mais para poder suportar essas despesas. E questiona-se: "Para pagar despesas médicas das crianças, venderia tudo e trabalharia até à morte se fosse necessário. Mas por um cão?" E continua: "É verdade que, se tivéssemos vendido camisas para cuidar de um peixe-dourado, alguém poderia dizer: "Por um gato ou por um cão, compreenderia. Agora por um peixe?".

Esta semana, na sequência da publicação da Portaria nº 1226/2009 - que proíbe aos proprietários de circos a compra e reprodução de animais selvagens e exóticos -, voltaram a estar no centro do debate público conceitos como bem-estar e saúde animal, direitos dos animais e a relação homem/animal. Mas o que se entende por "bem-estar animal"? Têm os animais direito... a direitos? Que animais? Mas não somos todos, humanos incluídos, animais?

Em termos biológicos, parece não restarem dúvidas de que todos descendemos de um mesmo antepassado. Ou, como refere o biólogo José Feijó, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, "aquilo que nos constitui não é basicamente diferente de uma bactéria, de um fungo ou de um animal". Há 150 anos, Charles Darwin e a sua teoria evolucionista vieram afirmar isso mesmo, colocando em causa o criacionismo religioso, de raiz judaico-cristã, segundo a qual todas as espécies foram criadas por Deus.

O desenvolvimento da ciência, nomeadamente da genética com os seus estudos do ADN, faculta-nos cada vez mais provas desse antepassado comum. Se assim é, por que razão nos consideramos animais à parte, superiores? "No caso dos humanos, houve uma expansão de uma zona específica do cérebro que nos deu um tratamento diferente das emoções e mecanismos abstractos, como a liguagem e a cultura, mas isso não nos coloca numa posição à parte", explica José Feijó.

Vítor Almada, responsável científico da Unidade de Investigação em Eco-Etologia do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), sublinha que "a nossa espécie é um animal entre muitos". E recorda que há também outras espécies animais, nomeadamente os mamíferos, que "também sonham e que também pensam". "A diferença coloca-se no tipo de pensamento. Enquanto nós, humanos, devido ao termos uma linguagem apoiada em termos abastractos, podemos pensar de forma reflexiva, ou seja, jogar com o mundo interior/exterior e com os pensamentos/memórias, nos outros animais existe apenas o pensamento prático, que o Homem também tem", diz.

Resta-nos ainda perguntar: os animais também sentem? Também têm sentimentos? No século XIX, nas aulas de anatomia, era comum abrirem-se os animais vivos, sem anestesia, por se considerar que estes não passavam de simples máquinas, ou seja, que os animais não tinham capacidade para sentir dor. Mas já o filósofo britânico Jeremy Bentham (século XVIII) defendia que a questão não é "eles [os animais] pensam? ou eles [os animais] falam? A questão é: eles sofrem?"

"Dor, medo, satisfação, são situações pelas quais os animais também passam", garante Vítor Almada. "O problema foi que, até há cerca de meio século atrás, os cientistas receavam estar a projectar nos animais sentimentos humanos". Uma vez mais, também aqui a ciência, através da observação dos sinais exteriores dos animais, nos permite afirmar que estes são igualmente dotados da capacidade de sofrer, de sentir, de criar expectativas. "Quanto maiores são as capacidades cognitivas do animal, maior é a sua capacidade de sofrer", diz Vítor Almada.

Isto não explica, no entanto, por que motivo mantemos relações tão diferentes com um cão ou com uma minhoca, ou com um cavalo ou com um peixe. "Quanto mais variada é a capacidade de expressão de um animal, mais este se encaixa nos nossos padrões", refere professor agregado do ISPA. "Um cão tem um tipo de sociabilidade parecida com a nossa e, por isso, é mais fácil termos uma relação estreita com ele".

Ainda de acordo com este investigador, intituivamente, temos a ideia de que há animais mais importantes do ponto de vista moral do que outros. ""Não é por acaso que já se realizaram diversas manifestações contra as touradas e a caça, mas nunca vi um protesto contra a pesca desportiva, por exemplo. E os peixes também sofrem", afirma.

Esta diferenciação leva-nos, por vezes, a cair no exagero. Como o de tratarmos algumas espécies animais como se de seres humanos se tratassem (há quem compare o especismo, a discriminação baseada na espécie, ao racismo). Hoje em dia, há hotéis de luxo, companhias aéreas, lojas de roupa e peças de joalharia, restaurantes e festas de aniversário exclusivas para cães e gatos.

"Esses são fenómenos assustadores, de total irracionalidade", lamenta Vítor Almada. "O cão ou o gato não têm noção de que fazem anos. O que as pessoas fazem, nestes casos, é projectarem nos animais a falta de amigos, de afecto, a solidão em que vivem. Isso a mim choca-me. Não pode haver uma sociedade justa com a subversão das relações entre homens, quanto mais para os animais".

Do ponto de vista jurídico, o assunto é igualmente problemático complexo. Para sustentar os seus pontos de vista, muitas organizações ligadas à defesa dos animais invocam a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela Unesco, em 1978.

Mas, como explica André Pereira, professor assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, "não se trata de uma convenção, não é um direito vinculativo - como, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem -, que se possa exercer directamente nos tribunais. Por ter sido elaborada sob a égide da Unesco tem alguma força jurídica, mas não tem força perante a comunidade internacional".

A ciência dos direitos dos animais terá nascido como consequência do surgimento de grupos de defesa desses mesmos direitos, embora seja difícil situar no tempo a origem desse movimento. Anabela Pinto, investigadora na Universidade de Cambridge na área do comportamento e bem-estar animal, aponta como uma das primeiras leis elaboradas para a defesa dos direitos dos animais aquela que foi aprovada no Reino Unido em 1822, relativa ao tratamento do gado doente, depois de vários protestos dos londrinos indignados com a forma como o gado era transportado pela cidade.

Em termos de protecção jurídica do animal, o mundo caminha em diversos sentidos. André Pereira refere que a doutrina tradicional, de raíz romana, como é a portuguesa, faz a distinção entre sujeitos (pessoas) e coisas (animais). O que significa, em termos simplistas, que quem matar um animal indemniza o proprietário deste porque causou um dano no seu património. Ou, em casos de dívidas, um animal considerado valioso, poderá ser penhorado tal como uma casa.

Há países, contudo, onde a protecção jurídica dos animais está mais avançada, como são o caso da Alemanha, Brasil e Suíça, em que os direitos dos animais estão consagrados na própria Constituição. Neste último, por exemplo, os animais não são considerados bens penhoráveis e numa situação de divórcio, são levados ao psicólogo, que decide com qual dos cônjuges o animal deve ficar."

Fátima Mariano

Jornal de Noticias - 2009-10-18 (aqui)



“Ah o êxtase dos namorados

que se olham, beijam, voltam a olhar e já não sabem

que mais hão-de fazer, que mais hão-de inventar.”

Alexandre O’Neill


A Espuma da Língua

Falamos a mesma linguagem.

Não, melhor, o mesmo silêncio.

As palavras não querem dizer nada,

emudeceram no clamor dos corpos

rebentando, com a urgência das ondas,

um rochedo contra outro.

As palavras não querem dizer nada,

meu amor, e os gestos são mudos,

o silêncio é o compêndio de todos os

incêndios suados:

branco, azul, memórias d´cor

e salteadas,

comida para dentro, para dentro

de mim, comida de ti, de dentro de ti,

para dentro, para dentro de mim

e assim reciprocamente.

As palavras, bem sabes, não querem dizer nada,

já o mutismo de dados gestos daria para povoar

o tempo e o espaço baldios

de todas as bibliotecas do nosso e dos outros mundos,

e o entendimento órfão entre todos os povos e indivíduos.

Não há hora marcada para isto,

um momento ideal para nada disto,

convencionou-se dizer, efectivamente que há,

todavia nem pensar; isto não se teoriza, intelectualiza, planifica,

não se filosofa, não se explica, não se postula,

bioquimica, preconiza, determina, conversa,

negoceia, acorda, isto é,

ISTO É E DEIXEMO-LO SER.

O TEMPO NECESSÁRIO

E O INÚTIL TAMBÉM:

ISTO é nosso

máximo denominador comum.

Bruno Sousa Villar


I'm laughing at clouds


Duas sessões do curso de fotografia analógica, novas pessoas, novos desafios, conversas ininterruptas, cortadas apenas pela sucessão das estações do metro em que cada um sai. Eu saio sempre na última. Já sozinha recordo a matéria dada: a minha confusão com o obstrutor, o diafragma, o fotómetro, tudo, tudo, tudo! Contudo, acabo sempre a pensar nas pessoas, nas pessoas da minha vida, naquelas que estou a conhecer e naquela tão especial que me privilegiou acompanhando-me no curso, e sob ele, com a garantia de um lanche todas as terças-feiras. Incrível, todas as terças-feiras até Dezembro vou poder ver-te. Gosto muito de ti, fazes-me falta todos os dias (excepto agora ..ahaha.. nas nossas terças-feiras!).
Duas sessões do curso, duas noites em que após as conversas do metro, o espanto dos azulejos da nova estação de São Sebastião, caminho só os escassos passos que distanciam a minha casa da estação.
Duas noites surpreendida pelo "lixo" de alguém. Há uma semana uns cabides (cruzetas!) antigos, feitos com aquela madeira que cheira bem e com um molde por onde a roupa, bem assente, não consegue deslizar.
Ontem, chovia muito e o meu caminho era apressado e incómodo até se cruzar com o camião do lixo onde, empoleirado, um homem verde cantou para mim:
"I´m singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again"
Não resisti em sorrir ao gesto de compaixão do senhor do boné verde. Trinta passos depois do encontro, por entre a luta com o chapéu de chuva e o vento, encontrei três gavetas a chamarem por um novo projecto.

meninas como nós

Judy Garland - Over the Rainbow
Somewhere over the rainbow,
Way up high
There's a land that I heard of once,
In a lullaby.
Somewhere over the rainbow,
Skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me...
Where troubles melt like lemon drops,
Way above the chimney tops,
That's where you'll find me...
Somewhere...
Over the rainbow
Bluebirds fly,
Birds fly over the rainbow
Why then oh why can't I?
If all those little bluebirds fly
Beyond the rainbow...
Why .. oh .. why .. can't I?

iogurte com manga



O lanche de ontem inspirou esta paleta. Adoro.

cá de casa


Aqui está a paleta de cores que criei, já mais decidida, para as paredes cá de casa. Cores serenas para bons sonhos, atenção e concentração. Cores vigorosas para a energia, segurança e expansão.

cá em casa

Quando iniciei as obras tive que tomar um conjunto de decisões difíceis. Para quem não é sensível à variação de um tom numa cor, e para quem apenas distingue o azul escuro do azul claro e do assim-assim, não poderá compreender o tempo e a energia que despendi com a escolha da cor para cada quarto e para o padrão da parede da cozinha (esta, por exaustão, acabou por ser a decisão mais instintiva).
Adoro o resultado, mas sinto que as escolhas foram demasiado prudentes. Receei determinadas cores que agora fazem cá falta.
Entretanto, depois de tantas dúvidas, desistências, tirinhas de cores e resultados, sinto que só agora estaria em perfeitas condições para escolher as cores cá de casa.

ouro sobre azul



Já tinha decidido que este fim-de-semana tentaria esquecer o cheiro a verniz que invadiu a casa e iria pensar em paletas de cores para iniciar um projecto com a Patrícia . Durante o lanche apaixonei-me por este trio cintilante.

(minhmm..estava também muito saboroso!)