pum ...pum ...pum ...pum

....encontro a minha nova paixão em todo o lado....

Este ano a edição do Festival do Cinema Francês irá prestar homenagem a Agnès Varda. A retrospectiva da sua obra andará, de 7 de Outubro a 10 de Novembro, pela Cinemateca, Instituto Franco-Português, RTP e por Serralves.

"Em Lisboa, na Cinemateca Portuguesa e no Porto, no Auditório da Fundação de Serralves.
A Festa do Cinema Francês, ao chegar à sua 10ª edição, organiza um ambicioso programa de homenagem a Agnès Varda. A realizadora estará presente na projecção do seu filme mais recente, "As Praias de Agnès".
Além de um ciclo com todas as suas curtas-metragens a decorrer no Instituto Franco-Português, será apresentada na Cinemateca Portuguesa uma retrospectiva que retoma o ciclo que lhe foi dedicado em 1993, juntando todos os filmes que realizou desde então a alguns títulos mais antigos. Mas a maior surpresa está reservada para o Porto onde serão montadas, na Fundação Serralves, duas instalações de Agnès Varda nunca mostradas em Portugal: "Bord de Mer" e "Le tombeau de Zgougou".
Uma das características distintivas dos filmes de Agnès Varda é que tudo pode ser chamado para a frente da câmara, num processo de livre associação de ideias, de imagens, de emoções, que acaba sempre por ter uma surpreendente e inesperada coerência. "

espanto!


Alguns de vocês conhecem o meu espanto por céus e não estranham que pare na rua a comentar as nuvens.
Hoje, enquanto descarregava o carro com uma pilha de caixotes, vi um rapazinho muito pequeno, pasmado a apontar para a púrpura do pôr-do-sol.
- Ó mãe, anda mais devarinho! Olha o céu está mesmo mesmo lindo!
- Vá, agora não, anda rápido que já estamos mas é atrasados.
Porque não agora, mãe? Pudera eu ter coragem para desautorizar aquela mãe-acelerada, desencantada, e contemplar com o rapazinho aquele fabuloso céu. Em casa fui à varanda vê-lo melhor e, apesar da pressa, do vento e da fome, permaneci por ali algum tempo sentada.
Estava mesmo mesmo lindo, puto!

psicose em wc (para arquitectos: I.S.)


Confesso, possivelmente atravesso dias sadicamente violentos que tento esconder atrás da porta da casa-de-banho...
Para além da cortina que reproduz a sombra do homem da faca de Psico de Hitchcock (que vi há uns tempos na Tom Tom Shop), gostava igualmente de trespassar a porta com as facas (cabide) da TC Studio.

(Fonte: TC Studio)

Haverá certamente uma explicação para este meu propósito.

pouco o conheço


Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça, em vida, em força, em luz

Céu azul que vem
Até onde os pés tocam a terra
E a terra inspira e exala seus azuis

Reza, reza o rio
Córrego pro rio e o rio pro mar
Reza a correnteza, roça a beira, doura a areia
Marcha o homem sobre o chão
Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida, a glória da vida

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça, em vida, em força, em luz

Caetano Veloso, Luz do Sol

graça

Não é a primeira vez que o que me perturba num filme não é ele em si, mas antes a impertinência da plateia.

Sem dúvida que Inglourious Bastards possui diálogos fabulosos, negros, sarcásticos e cenas absolutamente hilariantes, mas o curioso é que não era isso que fazia rir compulsivamente dezenas de pessoas que partilhavam comigo a sessão. Riam-se automaticamente a qualquer estímulo, a cada palavrão; riam-se com as cenas mais agressivas e perturbadoras, com as medonhas trucidardes sem escrúpulos e com as repulsivas extracções dos escalpes dos soldados nazis! Não quero dizer que considere desnecessária a violência do filme, acho-a perfeitamente justificada pela brutalidade do tema, mas custa-me ouvir pessoas a rir dos horrores que aquela representa. Ali estava uma mão-cheia de autómatos inconscientes que vêem em Tarantino o génio extravagante, venerável por inserir elementos vibrantes, personagens excêntricas e bandas sonoras atrevidas. Consideram-no um comediante...e dos ocos. Aprecio o seu humor acutilante, que considero pertinente, e acredito que as cenas de violência que concebe (falo particularmente deste filme) não são desinteressadas, levianas, nem próprias da gratuitidade frívola que imperava naquela sala.

Este episódio e aquele que vivi há uns anos no cinema com o Kill Bill I (repleto de gargalhadas igualmente bizarras) levam-me a pensar que Tarantino caiu antes nas graças de um público extraordinariamente perverso, esquisito, desinformado, que graceja maniacamente com actos de crueldade.

Ele, na cena do cinema francês (divinal! a melhor que vi de Tarantino) igualmente incomodado com esta notória falta de sensibilidade, sussurra-me: "Depois lembra-me para falar desta cena com Hitler a rir". Já lá fora faz com esta cena um reparo notável. Hitler assiste no cinema a um filme de propaganda nazi onde se ri de forma perversa da violência contra os soldados aliados, na sala do cinema francês todos riem sadicamente com ele, congratulando o realizador por aquele excelente trabalho (que expõe uma violenta matança levada a cabo por um soldado alemão, um herói de guerra). Perante esta cena, na sala do Monumental paira agora um silêncio sepulcral; pouco riam-se descomedidamente de actos bárbaros semelhantes mas praticados contra nazis. Tarantino poderia estar a “brincar” com o próprio público, alertando-o para o facto de este poder ser de tal forma frívolo e vazio que ri mecanicamente de acontecimentos moralmente condenáveis, sem qualquer tipo de reflexão. Com esta cena ele poderá pretender igualmente chocar esse público estupidamente tendenciosos, alertando-o para o facto de ser capaz de aceitar a crueldade com valentes e orgulhosas gargalhadas quando vista de um lado, considerando-a embaraçosa e constrangedora quando vista do outro lado da barricada. Faz sentido.

No final, saía da sala perplexa com este fenómeno e oiço esta conversa:

- Então gostaste?

- Sim! (um "sim" eufórico) Teve imensa graça!

...Hum?...graça? ... de graciosidade, elegância, encanto? ... de piada, diversão, simpatia, comédia?

Não percebo...


Não que o tenha praticado, mas... que
cor terá o pecado ?!

Onde o arranjo?


Adoraria ter este cartaz na minha casa nova. Seria colocado num local estratégico para que todos os dias revivesse a inspiração e a determinação que o filme me trouxe.
Casa nova, inspiração simples! Como temo acinzentar-me pelo caminho, preciso que o contributo deste filme seja recordado e constantemente celebrado. No fundo, não é somente o filme que vejo neste cartaz, vejo sobretudo ali Agnès, com quem tanto me identifiquei.
Onde o conseguirei arranjar? ... faltou-me a coragem de o pedir no cinema.

coisas simples


Numa tarde de sol (e muito calor), na pequena aldeia onde a minha avó nasceu, descobri deliciosos pormenores capazes de satisfazer a minha inexplicável fixação por texturas e cores.
Ferrugem, tintas a descascar, madeira ressequida, musgo, barro, terra, cal, cascas... observo a luz a cintilar, a sua vibração nas superfícies e as improváveis composições cromáticas dos materiais gastos, secos, expostos há demasiado tempo à chuva, ao vento e ao sol.
Uma tarde simples.

vespa, lagarto, serpente



Eu: Já leste o livro que te ofereci?
Ele: Não...
Eu: Hummm...Se continuares assim sem ler quando fores crescido vais mesmo falar como o Cristiano Ronaldo.
Ele: Fogo! ... "ah pois , portantos"... eu quando tiver a idade dele já não vou dar tantos erros, podes ter a certeza, até porque agora vamos escrever uma história.

"O Luís era um lagarto e a Cristina uma vespa. Uma vespa de uma só cor. Depois foi ao médico pedir medicamentos para ficar às riscas amarelas e pretas. Eles tinham uma camioneta e uma amiga chamada Marta, que era uma serpente que caiu pelo tubo de escape e foi fazer surf numa folha de uma árvore na praia."