ser uma mulher


O nosso corpo de mulher, o sexo, o desejo, o amor, a nossa condição feminina. Uma condição socialmente deturpada... Tantas vezes meros corpos-objectos. Tropeçamos constantemente nos maus tratos à nossa feminilidade quer nos meios de comunicação e na publicidade, quer em "inocentes" conversas de amigos ou família. O nosso corpo enquanto objecto para uma sexualidade unicamente masculina, passivas, dominadas, disponíveis, e para uma maternidade vista vezes sem conta como mero requisito social. Mulheres conscientes, insultadas nesta condição social de seres-fetiche, donas de um corpo que reclamam não constituir um mero produto visual e erótico.
Não é possível tentarmos combater o assédio sexual, a violência doméstica e a discriminação enquanto determinados valores, comportamentos e preconceitos são anfitriões na televisão, na publicidade, na imprensa, etc...Alimentando a forma como se pensa a condição da mulher, cada imagem com que nos deparamos tem a capacidade de influenciar e moldar esses comportamentos e práticas sociais.
Como viver a nossa feminilidade? Agnès Varda oferece algumas respostas com o seu "cine-panfleto" Réponse de femmes, um documentário de 1975 que surge da pergunta proposta por um canal de televisão francês a várias cineastas "o que é ser uma mulher?".


Do mundo da mobília-fantástica fugiram ontem quatro elefantes que repousavam no ecoponto junto à minha casa. Pacientemente em vigília, a minha mesa-de-cabeceira surge com quatro guardiões de sonhos que aguardam entretanto por uma pintura a branco, tal como estas peças da Oly Studio :

Arthur Bench

Ari Side


Vou ver.

o menino-doce


Joan Miró por Arnold Newman (Maiorca, 1979)

Vi-o em várias fotografias sem ter olhado atentamente o seu rosto. Na fotografia de Arnold Newman (re)apaixonei-me por Joan Miró... nunca imaginaria uma presença assim tão serena, um olhar, um sorriso tão doce. Encontrei aqui o menino tímido e curioso que a sua obra adivinhava ser.

Joan Miró, sem título (1953)

chove em Santiago, meu doce amor


Chove en Santiago
meu doce amor.
Camelia branca do ar
brila entebrecida ô sol.

Chove en Santiago
na noite escrura.
Herbas de prata e de sono
cobren a valeira lúa.

Olla a choiva pola rúa,
laio de pedra e cristal.
Olla o vento esvaído
soma e cinza do teu mar.

Soma e cinza do teu mar
Santiago, lonxe do sol.
Agoa da mañán anterga
trema no meu corazón.

"Madrigal á cibdá de Santiago", Garcia Lorca

Morreu o meu avô galego. Choro a sua morte como chorei há uns anos a do avô do meu sangue, com o mesmo desgosto, a mesma ternura, a mesma saudade. Choro triste o seu desaparecimento pois já distingo claramente o pulsar nas minhas veias do seu, do vosso sangue.
Hoje o meu caminho teria como único destino Santiago de Compostela. Gostaria de estar aí contigo.

Parabéns


Pintora, ilustradora, ceramista, decoradora de interiores, designer de mobiliário, cenógrafa, figurinista ... Maria Keil fez ontem, dia 9 de Agosto, 95 anos.


"1979 - Ano Internacional da Criança", cartaz de Maria Keil para a Comissão Nacional para o Ano Internacional da Criança.

Ilustração de Maria Keil para a capa de "O Cantar da Tila" de Matilde Rosa Araújo, publicado pela Livros Horizonte editora, em 1967.


"Artista ou Operária?", Pública, 15-07-07.
Ainda sobre esta entrevista ver aqui a fotogaleria Retrato de uma artista aos 92” da autoria de António Granado.

Mais trabalhos aqui.



Ups... prometi não falar de política, mas não resisti.
Ontem por Lisboa vi os novos cartazes da senhora... Hoje deparei-me com este video.
Sinto-me na presença de um transtorno maníaco-compulsivo.


Gosto quando Nanni Moretti e Keith Jerrett vão até ao local onde Pasolini foi assassinado.

saltar a tampa



Estive duas semanas à espera. Oh sorte... Acontece-me isto em tudo, escolho sempre o caminho mais complicado, mais moroso, os produtos esgotados ou aqueles que exigem uma encomenda especial.
A história dos tampos da cozinha é intrincada (!) envolve camiões alemães, trocas de mercadoria e, por último, um grande golpe a meio da peça. Cabe dizer que o tampo já estava montado, com lava-louças e placa, quando reparei em contraluz numa grande mossa....O tampo que veio da Alemanha não sobreviveu às mãos portuguesas que o transportaram já no meu prédio.
Resta agora esperar mais três semanas, porque entretanto ...estamos em Agosto.

Ele


...tocou à porta docemente… truz-truz!

Ela espreitou tímida pelo óculo e viu que ele trazia borboletas.