Gosto quando Nanni Moretti e Keith Jerrett vão até ao local onde Pasolini foi assassinado.

saltar a tampa



Estive duas semanas à espera. Oh sorte... Acontece-me isto em tudo, escolho sempre o caminho mais complicado, mais moroso, os produtos esgotados ou aqueles que exigem uma encomenda especial.
A história dos tampos da cozinha é intrincada (!) envolve camiões alemães, trocas de mercadoria e, por último, um grande golpe a meio da peça. Cabe dizer que o tampo já estava montado, com lava-louças e placa, quando reparei em contraluz numa grande mossa....O tampo que veio da Alemanha não sobreviveu às mãos portuguesas que o transportaram já no meu prédio.
Resta agora esperar mais três semanas, porque entretanto ...estamos em Agosto.

Ele


...tocou à porta docemente… truz-truz!

Ela espreitou tímida pelo óculo e viu que ele trazia borboletas.


memórias em castelo


Um final de tarde, depois de uma ginjinha no Terraço do Mercado do Chão do Loureiro, brindou-nos com um novo projecto.

Horas antes, subíamos ao Castelo desabafando os receios de quem tem uma vida sonhadora e a segura com firmeza, de quem quer afinal apenas criar. Vidas com sonhos que espreitam além da arquitectura.

Minutos depois, após uma conversa sobre touradas e tradições, descíamos por uma escada e descobríamos num contentor peças extintas nas obras de um edifício próximo. Peças que contam histórias de anos habitados entre pessoas, anos narrando silenciosamente as suas existências de alegrias, paixões e solidão. Peças que nesse dia foram substituídas por outras meticulosamente testadas em laboratórios de engenharia, feitas em alumínio, inox, plástico, acrílico, com isolamento acústico e térmico, botões e luzes sibilantes, apitos e sensores de precisão. Comigo veio uma janela antiga para emoldurar outras ideias de tintas e pincéis, sem Photoshop, sem Corel Draw.


Tal como esse final de tarde nos encaminhou para aquelas escadinhas, também cada momento da vida encontra as pessoas certas para ser partilhado. :)

Um beijo enorme à Patrícia e ao João por esta tarde.


Vegetarianismo – Ética da Alteridade

Há uns anos tornei-me vegetariana. Não foi uma decisão programa ou planeada, foi antes um processo espontâneo em que fui excluindo, ao longo do tempo, determinados alimentos de forma natural. Desde criança que estranhava a ideia de comer um pedaço de um animal morto e fazia-me confusão olhar para um bife e conseguir identificar os nervos, as fibras. Detestava a textura e o cheiro da carne.

Comecei a ler e a informar-me sobre o vegetarianismo, não só para encontrar uma alimentação equilibrada, evitando carências nutricionais, mas sobretudo como forma de investigar determinados valores e princípios filosóficos. Qual é afinal o estatuto moral dos animais na nossa sociedade que permite aos seres humanos a prática continuada de actos cruéis de dominação e opressão, a infligir sofrimento e decidir a morte de outro ser? Sempre me pareceu bastante lógico que humanos e animais partilhassem dos direitos fundamentais, o direito à vida, à integridade física e à liberdade, mas, na verdade, estes últimos são considerados como meros “bens” susceptíveis de apropriação, exploração, comercialização, e o seu abate, à excepção dos animais que já estejam em vias de extinção, é isento de culpabilidade moral. Não será apenas uma questão de dominação e poder? O conceito de Derrida de carnofalogocentrismo é claro em relação a isto, e exprime a “necessidade, desejo, autorização ou justificativa para levar à morte”.

“«Adoro animais» comentou ela «Tenho um cão e dois gatos e, sabem, dão-se todos extremamente bem.» (…) Fez uma pausa enquanto se servia o chá, pegou numa sanduíche de fiambre, e perguntou-nos que animais de estimação tínhamos.”

Logo no prefácio de “Libertação Animal”, Peter Singer aponta, através de um encontro com uma senhora que pretendia escrever sobre animais, o frequente preconceito especista que distingue os animais passíveis de constituir uma refeição, dos “fofinhos” que devemos “estimar” e ter em casa. Deste modo é bastante frequente assistir a conversas em que as pessoas ficam perturbadas com a existência de indústrias intensivas de criação de cães para alimentação na Ásia.

“Comer gato por lebre”. Porquê gato, porquê lebre? Não faz sentido perpetuar uma discriminação baseada em motivos meramente emocionais, defendendo apenas os animais que nos estão mais próximos.

A ingestão de carne nunca foi uma decisão pela qual cada um de nós tenha passado, mas sim um hábito herdado. Um hábito (uma pressão) social pesadíssimo, raramente questionado de forma consciente e imparcial, tanto na nossa educação como durante toda a nossa vida. É esse hábito que custa quebrar e o prazer que se tira de uma refeição de carne é dado apenas por um vício (eu digo intoxicação) do paladar.

O vegetarianismo é assim mais do que um regime alimentar, é também uma postura ética. Defendo o direito dos animais da mesma forma que defendo os direitos humanos, que condeno o sexismo, o racismo, a homofobia, e que me oponho a qualquer tipo de violência, crueldade e maus-tratos. Para mim faz sentido que a alimentação passe por uma reflexão consciente, que constitua um acto da responsabilidade individual. Não será, como afirma Tom Regan, o direito dos animais uma extensão lógica do reconhecimento dos direitos humanos? Para mim, sim, é apenas uma questão ética, da alteridade e da responsabilidade dela decorrente.

Zé Luis, gostava de conseguir enquadrar a alteridade e a responsabilidade de Lévinas na condição animal, sei que ele não se debruçou nesta questão particularmente, mas parece-me ser bastante fácil de o fazer, será possível? Vá mestre, entretenha-se, tenho um pequenino artigo que pode ajudar ;)





Belíssima Silva



Gosto da Bela Silva, do seu trabalho e de a ouvir.
Ela disse há uns meses no programa "Bairro Alto" aquilo a que eu ainda não tinha dado palavras. No amor, ela não se entrega a relações morninhas, só quentes... em ebulição, acrescento eu!

O trabalho desta bela pode ser visto
aqui.

Pa'llegar hasta tu lado



Gracias a tu cuerpo doy
Por haberme esperado
Tuve que perderme pa'
Llegar hasta tu lado

Gracias a tus brazos doy
Por haberme alcanzado
Tuve que alejarme pa'
Llegar hasta tu lado

Gracias a tus manos doy
Por haberme aguantado
Tuve que quemarme
Pa'llegar hasta tu lado

Óscar




Uffff.. afinal ainda tenho razões para acreditar no amor à primeira vista! :)
O pequenino Óscar chegou há poucos dias cá a casa. Por entre as vigorosas brincadeiras com a vassoura, com as caixas da roupa e de se espantar em frente ao espelho, não perde uma oportunidade de parar e fixar o olhar em mim ! :))
Óscar como o Wilde!? Talvez! Disse-o espontaneamente das primeiras vezes que o tive que chamar e, apesar de me terem dito que era nome de peixinho (ehehe!), acabou por ficar.