Pa'llegar hasta tu lado
Gracias a tu cuerpo doy
Por haberme esperado
Tuve que perderme pa'
Llegar hasta tu lado
Gracias a tus brazos doy
Por haberme alcanzado
Tuve que alejarme pa'
Llegar hasta tu lado
Gracias a tus manos doy
Por haberme aguantado
Tuve que quemarme
Pa'llegar hasta tu lado
Óscar

Walter Astrada, o destemido argentino, tem vindo a fotografar em cenários de violência extrema, avassaladoramente brutais. São dele as fotografias que mais me têm impressionado pela forma como expõe a miséria e a agressividade, e como cruamente nos depara com a morte.
Mais uma vez Astrada voltou a deixar-me aterrada. Numa série de fotografias tiradas nos confrontos pós-eleitorais do Quénia, sob uma vaga de cruéis assassinatos, surge a aflição de Monday Lawiland, um menino que com apenas 7 anos se vê exposto a conflitos para os quais ninguém tem idade, muito menos ele. Com esta reportagem Astrada venceu a categoria Spot News da World Press Photo 2009.
casa

Passo a passo a casa vai ficando pronta.
Há dias dizia a um amigo que, tendo em conta a duração dos novos mestrados, já sou mestre em preparação e mudanças de casas, pois nestes dois anos não fiz mais senão empacotar, desempacotar, arrumar e desarrumar.
Mudo de casa, desta vez só comigo. Ainda frágil, quebradiça, é fácil escaparem-me as forças quando recordo o sabor amargo, o golpe deste imprevisto.
Respiro fundo, preparo-me para abrir as caixas na certeza de descobrir uma peça que me atraiçoará a coragem. E encontro objectos, lembranças dolorosamente recentes, testemunhos da minha batalha, que perguntam, olhando em redor, por tudo aquilo que conheceram, por tudo aquilo que lhes deu existência, um sentido. Por vezes gritam tão alto, reclamam, protestam, vociferam, que sinto uma angústia de tal forma ensurdecedora que tendo a fechar as caixas.
Mas dia após dia manifesta-se um impulso ansioso que luta por tudo cessar. Um instinto impaciente que teima em espantar o que me trouxe aqui, o que mudou com a casa grande parte dos meus sonhos. Enérgico, esforça-se por arrumar cuidadosamente cada mágoa e cada tristeza numa gavetinha segura, mas sempre visível.
E assim, a seu tempo, vejo tudo serenamente a assentar, como em resposta a uma ordem superior, uma sequência, um ritmo natural (talvez biológico) que me matura, que me prepara para as etapas seguintes.
Trago para a nova casa uma esperança que tenho vindo a embalar há uns meses, tão delicada, tão suave, que seguro fortemente junto ao peito. E quando tudo estiver arrumado, e só restarem doces memórias, espero sentir-me finalmente em casa.
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