esse fado impetuoso!
pintar as núvens


vejo-te dançar
boa vizinhança
- Quem terias como vizinho?

esticar as cordas

andorinhas

Gosto de andorinhas, recordam-me as tardes de brincadeiras com o meu primo na rua ou no quintal dos meus avós, num bairro aqui
Míticas peças da identidade portuguesa, as andorinhas que Bordalo Pinheiro desenhou em 1891 interpretam perfeitamente essa recordação da minha infância, e para nunca a deixar escapar gostava de colocar umas quantas numa parede da minha nova casa, a casa azul. Mais do que simples objectos decorativos as andorinhas são peças simbólicas, peças que marcam nao só a nossa herança cultural como muitas histórias pessoais. Acho mesmo que o sucesso da sua reedição está na capacidade que estas possuem em personificar algumas das nossas memórias.
A propósito de andorinhas de cerâmicas, o Estúdio Pedrita realizou uma intervenção na fachada da Ermida Nossa Senhora da Conceição, em Belém, agora transformada numa pequena galeria. Propuseram aqui uma homenagem à chegada da Primavera e ao aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro, ambos comemorados no dia 21 de Março, cobrindo a fachada com 1600 andorinhas de cerâmica, peças da Fabrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro. Creio que a instalação já terá sido retirada, mas uma vez que não vamos impedir que as verdadeiras andorinhas voem para destinos mais quentes, gostava que estas se tivessem mantido por cá!
arquitectura social II

Parabéns Arena
Arena conta a história de um rapaz em prisão domiciliária que é desafiado pelos miúdos do seu bairro social a transgredir a lei. Em entrevista ao IndieLisboa o realizador afirma: “(...) eu queria explorar a ideia de que o sítio de onde nós vimos condiciona muito o sítio para onde vamos ou deixamos de ir, ou seja a ideia de que há pessoas presas à sua condição social mas também ao sítio geográfico de onde vêm (...) ".
Arena, para além de um filme sobre violência urbana, parece-me ser uma óptima reflexão acerca daqueles que se encontram enclausurados na sua condição social (seja ela qual for) e a forma como esta poderá condicionar os seus comportamentos e hábitos, a sua forma de seguir a vida.
Fiquei curiosa...espero ter oportunidade de a ver brevemente.
Parabéns!
o senhor do cinema português
Tinha acabado de espreitar o calendário da cinemateca para este mês quando soube que João Bénard da Costa tinha falecido hoje, vítima de cancro. Morreu o senhor do cinema português, como afirmou Eduardo Lourenço.
Bénard da Costa desde sempre andou a par com a história do cinema, o que para mim faz dele um verdadeiro cineasta. A sua extraordinária dedicação ao cinema afasta-se hoje do nosso panorama cultural, sem com isso nos privar dos seus preciosos contributos enquanto escritor, enquanto forte apoio a várias gerações de produtores e cineatas portugueses ou director e programador da Cinemateca.
Hoje perdemos todos um exemplo de uma genuína paixão, uma cinéfilia pura. Lembro-me de ser adolescente e ler algumas das suas crónicas do Independente e a sua forma de ver um filme, como o desenrolar de uma vida, pé ante pé, fazendo referências à literatura, filosofia e música, faziam-me pensar “Este senhor sabe tanto!”
