a Idade do Ouro de Herzog


Há duas semana vagueei pelo inquietante mundo de Herzog pelas mãos da fantasmagórica viagem de Fata Morgana ao Sahara, um deserto filmado de forma crua, sem referências e sem escala que serve de palco à exibição da impotência do Homem.
Imagens como as carcaças de animais, aviões e carros, as paisagens áridas, as cidades de traços deploráveis, a miséria da população e as indústrias petrolíferas em contraponto com as paisagens em forma de miragem, revelam a presença angustiante do Homem e as consequências que esta tem na Terra.
O tratamento cruel dos animais testemunha a mentalidade autoritária de exploração e instrumentalização dos animais e de todo o sistema ecológico na Terra.
Na Idade do Ouro Herzog aponta directamente a bizarra falência do Homem, ilustrada pela cena do bailarico. A única cena filmada num espaço fechado vem desafiar aquilo filmado lá fora, em África. Uma fantástica provocação: a civilização (eeeeer.....) e o que sobrou dela...!
Serviu esta extravagante metáfora para despertar uma maior curiosidade acerca de Werner Herzog . Dei assim início a uma intensiva jornada pelo IndieLisboa´09, frequentando praticamente todas as sessões dedicadas ao realizador alemão.
Ficam dele alguns filmes por ver ... e muitos mais por rever!

fim de semana a 4ventos



Restam poucos dias para a chegada do retiro do centro Gaia - Hatha Yoga, no 4ventos, junto à Tapada de Mafra.

No próximo fim de semana irei desligar o ruído de Lisboa, as impaciências e anseios e ... as obras da casa azul! Durante esses dias irei dedicar-me a uma prática bem mais profunda, atenta e consciente.

O programa inclui, para além das sessões de meditação, pranayama e asana, palestras, deliciosas refeições cuidadosamente pensadas (e preparadas!) e uma óptima companhia!

O retiro é orientado pela Antónia Soares (na foto), a quem só me resta agradecer a extraordinária dedicação .. e todos estes miminhos!

de um azul porcelana

Como as veias que percorrem a minha pele também eu serpenteio em várias direcções, sem mapa, sem rota, expandindo-me apenas para deixar fluir o sangue.

Como o sangue que percorre as veias da minha pele também eu procuro encontrar um percurso, um trajecto sólido, firme e profundamente vincado.

Mas esse percurso teima em cortar a pele, e as cicatrizes dessa caminhada são agora de uma seda fina e quebradiça, sinais anémicos que ameaçam por vezes não conseguir estancar o sangue.

São testemunhos da minha matéria, o meu azul porcelana, ténue, frágil e hesitante.