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mesmo ali em Castelo Branco

A propósito dos suzanis, a São lembrou-se dos bordados de Castelo Branco.
Os bordados tradicionais de Castelo Branco, antigamente denominados por "bordados a frouxo", remontam o século XVII. São peças bordadas em tecido de linho de origem caseira com fio de seda natural frouxo (tingido a diversas cores e tonalidades), ou seja, que não foi torcido com o suporte de um bastidor circular. O ponto mais utilizado é o ponto largo, que não passa do denominado "ponto de oriente" ou "ponto da Hungria", apesar de existir um vasto conjunto de pontos , cerca de vinte e sete, que as bordadeiras utilizam, entre eles algum mais complexos oriundos do Oriente. A opção por um ou outro ponto prende-se não apenas a questões visuais, mas ainda à textura pretendida para a colcha.
Estas peças começaram a ser utilizadas em dias de festa, sendo posteriormente integradas no quotidiano familiar.
Como peças de enxoval, as colchas apresentam elementos cujo significado nos remete para a vida matrimonial, tais como a bíblica Árvore da Vida, o pássaro bicéfalo que representa duas almas num corpo só, o cravo e a rosa significando o homem e a mulher, o galo a virilidade, os lírios a virgindade, o jasmim a virtude, os corações o amor. As raparigas beirãs em idade de casar colocavam junto de uma janela colchas eximiamente decoradas e coloridas para impressionar algum rapaz.
Com o passar do tempo, os motivos bordados foram sofrendo influências orientais com a integração de elementos persas, indianos ou chineses.

suzanis

Os “suzanis” são peças bordadas em fio de seda que remotam a antiguidade na Ásia Central, particularmente no Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.

Existem dois significados para a palavra ”suzani”; em persa ela significa Beleza Tribal, todavia há quem se refira apenas a “trabalho de agulha”.

Para além do dote das suas filhas, as mulheres produzem almofadas, cortinas, colchas, peças de parede, toalhas e tapetes de oração para cada habitante de sua casa. Para o dote de uma filha, o trabalho inicia-se logo depois do seu nascimento e, com a colaboração de familiares e amigos, é completado até ao seu noivado.

Depois da ocupação soviética os ocidentais descobriram o artesanato da Ásia Central, tornando-se as peças antigas demasiado caras. Deste modo, desenvolveu-se uma onda de revivalismo das antigas formas e técnicas da bordadura dos “suzanis”. Actualmente, temos acesso a fabulosos têxteis contemporâneos um pouco por todo o mundo, a preços mais acessíveis, sendo que as mulheres asiáticas ganharam uma nova forma de sustento para as suas famílias. As peças são agora produzidas nas vilas mais tradicionais ou em modernos ateliers. Todavia, importa salientar que as peças continuam a possuir uma enorme qualidade, quer ao nível dos materiais, quer da técnica de bordadura, motivos e cores. As peças actuais são frequentemente constituídas por uma mistura de algodão e seda, tecidos em faixas posteriormente cosidas entre si: o mais comum é utilizar-se uma urdidura de seda e a trama em algodão. Contudo, ainda se produzem inúmeras peças totalmente em seda.


Para os “suzanis” de grandes dimensões, as faixas são cosidas para se desenhar o motivo em toda a peça, sendo separadas novamente de forma a que cada elemento da família ou amigos borde uma faixa.
Uma mulher, no Uzbequistão, desenha o motivo de um novo suzani.
Utiização de um bastidor para produzir os contornos e alguns detalhes mais lineares.

Bogolan

Os Bogolan são tecidos tradicionais do Mali, frequentes nas tribos de Dongon, Bambara e Malinkés. A palavra Bogolan deriva de um dialecto local: bogo significa argila, lama, terra e lan - feito de. Tecidos feitos de terra.

A produção dos Bogolan envolve um processo moroso. O tecido de algodão branco é a sua matéria-prima, tecido num tear duplo pelos homens da população, em tiras estreitas. As tiras são posteriormente cosidas entre si, dando forma e dimensão ao pano.

A tintura é feita pelas mulheres, sendo esta técnica passada de mãe para filha. As tintas utilizadas são naturais, de origem vegetal e mineral, pelo que as cores resultam essencialmente no preto, no castanho, amarelo e no branco.Depois de receberem a tintura inicial, proveniente de uma pasta resultante da mistura de plantas e fibras de árvores. O tecido é colocado ao sol e rapidamente adquire a sua primeira coloração. Este processo de tintura é repetido várias vezes.
A lama fermentada, recolhida nos lagos próximos e em poças, é guardada em potes cobertos durante um ano, é aplicada escurecendo algumas zonas da peça de algodão. A área em que se pretende aplicar a lama é contornada com um pincel, um pau ou outras ferramentas. O interior é posteriormente preenchido com utensílios maiores. Por vezes aplicam-se stencils. A peça é lavada de forma a retirar o excesso da lama.
Depois de aplicar uma segunda tintura natural, a peça é novamente colocada ao sol. Uma pasta que resulta da mistura de um sabão local e de lixívia irá preencher os desenhos a branco.
Os motivos baseiam-se na vida rural ou urbana africana, na natureza e nos inúmeros ideogramas e formas geométricas tradicionais de cada tribo.
fonte das fotografia: trekearth.com

Kilims

A palavra kilim significa “tapete sem pêlo” ou “tapete de dupla face”. Os kilims são reversíveis uma vez que na sua produção, em vez dos nós utilizados na confecção dos tapetes mais frequentes, são dadas laçadas por entre os fios da urdidura, tal como se de um bordado se tratasse.

Existem diversos termos para a sua denominação: gelim no Irão; kelim no Afeganistão; kylym na Ucrânia, palas no Cáucaso, bsath na Síria e Líbano, chilim na Roménia e kilim na Turquia, Polónia, Hungria e Sérvia.

Fotografia tirada entre 1873 e 1890 em Isfahan, Irão onde podemos observar duas mulheres a tecem, num pátio, um kilim num tear de chão. Fonte:"Living Kilims" da Thames and Hudson.

Uma vez que eram utilizados na sua produção materiais de pouca resistência, os kilims encontrados nos locais arqueológicos revelam-se insuficientes para a afirmação de uma data ou modo de tecelagem original. Neste sentido, é difícil estabelecer o seu aparecimento ou a tribo que o produziu. Todavia, em 1947, um arqueólogo russo, durante as escavações a uma sepultura no sul da Sibéria encontrou um kilim extremamente bem conservado. Após diversas análises, constatou-se que a peça pertenceria ao século 5 A.C.

Até há poucas décadas os coleccionadores consideravam o kilim de inferior qualidade em relação aos tapetes orientais. Durante gerações foi esta a ideia que se manteve dos kilims, sendo que na maioria dos livros especializados em tapeçaria descreviam-nos em poucas linhas, como sendo um simples e inferior produto tribal. Há três décadas deu-se uma explosão de interesse nestas peças para fins decorativos, utilitários e para colecção, sendo que as suas características e qualidades conquistaram todo mundo ocidental.

Porém existem ainda kilims que continuam a ser utilizados tal como foram durante séculos na Ásia: como peças decorativas que cobriam o chão, paredes e mobiliário. Todas estas funções expõem o carácter e tradições das pessoas que os teceram à mão, nos seus teares rudimentares, usando técnicas específicas de tecelagem, motivos e composições, transmitidas de geração a geração.

A técnica de tecelagem utilizada, a que apenas entrecruza os fios de lã, cabelo ou fibras vegetais, deverá ter surgido para fazer face às necessidades básicas de vestuário, abrigo, armazenamento ou para o conforto dos abrigos – como almofadas, cobertas para o chão e paredes.

Tear horizontal de chão. Este tipo de teares era utilizado pelos povos nómadas para produzir kilims e outro tipo de têxteis . Eram facilmente montados e desmontados e transportado por camelo.Fonte:"Living Kilims" da Thames and Hudson.

Uma mulher no norte do Afeganistão tece uma tira para envolver a tenda ou para coser a outras para fazer um ghujeri. Ela está a trabalhar num tear de chão tradicional , usado durante séculos sem alterações pelos povos nómadas. Fonte:"Living Kilims" da Thames and Hudson.
A produção de kilims nesta aldeia no norte da Síria funciona em pequenas empresa familiar como uma linha de montagem industrial. Aqui vemos um tear horizontal, relativamente sofisticado, e a preparação e aplicação da tinta na lã. Fonte:"Living Kilims" da Thames and Hudson.

Apesar de existirem inúmeras referências históricas, é certo que esta simples técnica de tecelagem era uma ocupação estabelecida e florescente à data. A domesticação da ovelha, da cabra, dos camelos e dos cavalos tornaram a lã e o pêlo facilmente disponíveis, por outro lado, os pigmentos foram sendo desenvolvidos, sintetizados a partir de fontes animais e vegetais.

Os motivos e elementos de decoração dos kilims estão intimamente associados à identidade de cada tribo. Os símbolos e desenhos aplicados eram claros e fáceis de serem reconhecidos a uma determinada distância, de forma a permitir que todos aqueles que circulassem por perto conseguissem distinguir a tribo. Estes símbolos tribais, por outro lado, reforçavam a integridade do próprio grupo.

As tribos nómadas utilizam também os kilims para revestir a estrutura de madeira das suas tradicionais tendas redondas, de tectos ligeiramente abobadados. Fonte: "Living Kilims" da Thames and Hudson.

As tribos nómadas ou semi-nómadas enrolam ou dobram os kilims no dorso dos camelos ou dos burros quando se movimentam. Os kilims dobrados servem como suporte para o transporte de vários utensílios. Fotografia tirada junto de Herat, no Afeganistão."Living Kilims" da Thames and Hudson.

gatos

"O processo de reparação de objectos cerâmicos por aplicação de grampos de arame, ou gatos como frequentemente se denomina, é uma expressão forte de um acto tradicional de restauro praticado por artesãos ambulantes (os amoladores) que possuíam um número reduzido de instrumentos de trabalho. O furador manual deito de arame de aço ou o berbequim para a abertura dos orifícios no recipiente fracturado, o alicate para dobrar e cortar os grampos e para os pressionar na sua aplicação, transportados pela rua.
Este trabalho de muita baixa remuneração, era vantajoso dado o custo dos recipientes a reparar."
Museu Nacional de Etnologia

barros negros de ribolhos

Figuras da Maria da Fonte e Músicos em barro. José Maria Rodrigues. Castro DAire.
Museu Nacional de Etnologia.
O José Maria Rodrigues, habitante em Ribolhos, o oleiro mais conhecido do concelho, produzia utensílios em barro preto - assim denominado devido ao tipo de cozedura que lhe concede a tonalidade negra.
Com o desenvolvimento e modernização do estilo de vida, José Maria dedicou-se à olaria artística, criando um género muito próprio, onde predominam as figuras de arte popular.
A arte de trabalhar o barro, actividade secular em Ribolhos, foi o único meio de subsistência da população devido à inexistência de actividade industrial e de uma precária agricultura. A roda baixa, a pia de pedra, o maço de madeira, a peneira e os outros instrumentos fabricados pelo oleiro, constituem os artefactos que deram nome aos Barros Negros de Ribolhos.

Olaria de Nisa


Olaria Empedrada
A olaria pedrada é uma tradição bastante antiga e intimamente ligada à preservação da água. É típica na região do Alto Alentejo, nomeadamente em Nisa e Estremoz - que apresentam técnicas decorativas de incrustação no barro distintas -, e na região da Alta Estremadura espanhola, nomeadamente na localidade fronteiriça de Ceclavín.

Assim, a olaria de Nisa tem como principal função a conservação da água fresca para uso doméstico e o seu transporte pelos viajantes e trabalhadores rurais.

Na composição da pasta entram dois tipos de barro, o barro branco e o barro preto, utilizando-se ainda para o acabamento da peça o barro vermelho.

Nas incrustrações empregam-se fragmentos de quartzo. As decorações são levadas a cabo por mulheres, sendo os motivos mais frequentes são as flores e plantas típicas da região.

A partir dos anos 60 deu-se uma crescente procura destas peças para fins decorativos. Esta procura originou uma adaptação na tipologia de peças executadas e na sua decoração. Deste modo, para além do tradicional vasilhame, começaram-se a produzir artefactos decorativos tais como pratos, travessas, cinzeiros, pequenas réplicas de animais, entre outros. No que toca à decoração, mesmo nas peças mais tradicionais, começou-se a utilizar pedra de menor calibre (chamada de 1ª e de 2ª) e em apenas uma linha ou ida, como dizem os populares.

Moringue em barro. António Oliveira Pequito. Museu Nacional de Etnologia
Jarro em barro. Museu Nacional de Etnologia
Potes de Roça

Produz-se igualmente em Nisa os chamados potes de roça ou potes roçados, cuja técnica de execução e o resultado final são bastante distintos dos da restante olaria nisense.

Através desta técnica apenas se produzem potes.

O barro é trabalhado em cima de pó de quartzo, ficando visível apenas na superfície externa da peça. Estas peças são extremamente resistentes e refrescarem mais a água do que os potes lisos, uma vez que o quartzo torna barro mais poroso, acelerando o processo de arrefecimento.

Pote de Roça. António Pequito. Museu Nacional de Etnologia

os Ratinhos - faiança popular de Coimbra


Os "Ratinhos" é uma expressão que denomina os trabalhadores rurais da Beira que migravam sazonalmente para o Alentejo na época das ceifas.
Os Pratos Ratinho, produzidos desde os finais do século XVIII, decorados com flores, penas e, mais tarde com figuras típicas, são louça vidrada de produção popular das fábrica de faiança de Coimbra. Louça amplamente difundida e comerciada por ser extremamente barata, devido à fraca qualidade e ausência de valor artístico.

Estes pratos eram então levados para o Alentejo por aqueles “Ratinhos” que pretendiam, durante o tempo de estadia nos latifúndios, possuir um prato próprio, evitando partilhar o mesmo prato com várias pessoas na hora da refeição.

Esta louça denominava-se ainda por "Troca-Trapos", pois era costume, no final da época da ceifa, serem trocadas por roupas, mantas ou tecidos da Fábrica de Lanifícios.

As famílias mais pobres, que não possuíam estanhos ou cobres, decoravam as suas casas com estes pratos de loiça vidrada, garrida e popular, a qual era colocada em bonitas estanheiras.

Nadia Baggioli - uma artista italiana em Lisboa

"Coração independente,

Coração que não comando,

Vive perdido entre a gente,

Teimosamente sangrando,

Coração independente"

"Aí, Lisboa

Terra bem nobre e leal,

Tu és o castelo da proa

Da velha nau Portugal"

"Ai, Lisboa

Cheiram a sal os teus ares,

Deus pôs-te as ondas a teus pés,

Porque és tu a rainha dos mares."

talvez num palco fosses guerreiro

O nosso mamulengo, oriundo de destinos quentes e soalheiros, não dispensava um lugar ao sol. Foi para a janela. Ao lado, serve-lhe de protecção um fabuloso escudo africano.

a tradição têxtil em África

África possui uma longa tradição têxtil que inclui uma vasta variedade de materiais, estilos, padrões e utilizações. Os tecidos são usados não só para vestuário, como para adorno, decoração, ou ainda enquanto veículo de mensagens ou como moeda para trocas comerciais.
Os primeiros tecidos eram realizados com cascas moídas de árvores, aproveitando sobretudo a zona interior da casca, mais fibrosa. Esta técnica era corrente numa extensa área do continente africano. Actualmente, são encontrados sobretudo na África central, decorados com tintas vegetais.
A matéria-prima, depois de extraída da árvore é demolhada ou fervida em água durante algumas horas para amolecer. Posteriormente, é batida com pedras de forma a esmagar as fibras e extrair os materiais lenhosos e as impurezas. A casca é colocada novamente em água para ser novamente calcada. Este processo de preparação da casca é repetido durante vários dias, podendo alcançar um mês de trabalho. Por fim a casca é submetida a um processo vagaroso de secagem para que não resulte rígida e quebradiça. O produto final assemelha-se a uma folha de papel, resistente, flexível e bastante macio ao ponto de ser possível costurá-lo.
A tecelagem foi desenvolvida a partir do século XI. Nesta mesma época, a expansão do Islão introduzindo novos códigos de vestuário o que desempenhou um papel importante no desenvolvimento de determinadas técnicas de produção dos tecidos, sobretudo na África ocidental.
O tear de faixa estreita, os teares simples, os de chão e os de ráfia eram apenas utilizados por homens. Todavia, numa ampla área junto à Nigéria, incluindo a zona oeste dos Camarões, já as mulheres teciam utilizando teares verticais, apoiados numa parede. O tear horizontal permitia a confecção de várias tiras que posteriormente eram cosidas longitudinalmente, formando tecidos maiores.
Estes trabalhos habilíssimos foram, mais tarde, introduzidas como moeda de troca, através dos quais era possível estimar o preço de produtos e comprar mercadorias. Em várias sociedades africanas, a quantidade de tecidos pertencentes a cada família constitui um símbolo de riqueza e poder.
Os tecidos constituem presentes singulares, deste modo, o poder de cada família mede-se não só pela quantidade dos seus bens, como ainda pela possibilidade de os distribuir. Presentear alguém com tecidos possibilita a solução de conflitos, a resolução de várias situações e a celebração de momentos especiais da vida de cada membro, tais como o atingimento da maioridade, o matrimónio, o nascimento de filhos, netos ou a morte de um parente.
De forma a garantir boas relações sociais, cada membro da sociedade é desafiado a oferecer e a receber tecidos. A posse de um largo conjunto de tecidos aumenta assim o prestígio do seu proprietário, possibilitando-lhe uma participação mais activa na vida comunitária.
Os tecidos possuem ainda uma função simbólica, através do seu estampado – que se assemelha a texto onde se encontram referências à identidade social e religiosa daquele que o usa. Assim, desempenham um importante papel na vida ritual, presente igualmente no momento da morte. Os mortos são vestidos ou envolvidos em tecidos, de maneira a serem protegidos pela palavra dos vivos.

Catarina Maldonado

A designer elabora colares enquanto peças escultórias, inspiradas em tribos e civilizações remotas à tradição europeia.
Catarina procura peças e materiais nobres em todo o mundo, seda, têxteis antigos, conchas, âmbares, coral, prata, marfim, côco, turquesas, entre outros.
Cria intuitivamente, não desenhando previamente a peça, não preparando antecipadamente a combinação das cores. Cada colar vai nascendo, compondo-se e recompondo-se, seguindo a sua inspiração e delicada sensibilidade.
Algumas das suas peças podem ser encontradas na loja cavalo de pau, na Rua de São Bento.